quinta-feira, 29 - outubro 2026 - 13:12



PRESO EM OPERAÇÃO

Consultor do TCE recebeu R$ 32,3 mi e foi flagrado colocando 'grana' em mochila


Da Redação/ FatoAgora
Grhegory Paiva Pires Moreira Maia
Grhegory Paiva Pires Moreira Maia

O consultor jurídico-geral do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, preso nesta quinta-feira (29), teria recebido R$ 32,3 milhões em pagamentos investigados pela Polícia Federal (PF). Na decisão que decretou a prisão preventiva, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Og Fernandes aponta Grhegory como o maior destinatário individual dos recursos e destaca imagens em que ele aparece colocando blocos de dinheiro em uma mochila após a preparação do numerário por uma funcionária de uma agência bancária.

Segundo a decisão, Grhegory teria recebido R$ 32.310.120,43, dos quais R$ 31.644.860,90 foram creditados por meio de 179 ordens bancárias avulsas, distribuídas em 12 contas mantidas em nove instituições financeiras. “Foi identificado como o maior destinatário individual de recursos provenientes dos pagamentos apontados pela investigação, tendo recebido montantes expressivos distribuídos em múltiplas contas bancárias mantidas simultaneamente em diversas instituições financeiras”, citou.

Ao justificar a prisão, o ministro afirma que o consultor ocupa posição central no fluxo financeiro investigado. Os elementos reunidos, segundo o documento, indicariam que ele não atuava apenas como beneficiário dos valores, mas também participava de operações relacionadas à retirada e à movimentação de dinheiro em espécie.

A decisão destaca que, em um dos episódios registrados pela Polícia Federal, Grhegory aparece acondicionando blocos de dinheiro em uma mochila. Para o relator, a magnitude das movimentações, o uso simultâneo de diversas contas bancárias e os indícios de ocultação patrimonial apontam risco de continuidade das atividades investigadas.

Outro ponto destacado é a evolução patrimonial do consultor ao longo de 2025. Conforme a decisão, o patrimônio teria passado de R$ 1,84 milhão, em janeiro, para R$ 7,61 milhões, em outubro, um aumento de aproximadamente R$ 5,77 milhões no período.

A investigação também identificou duas empresas ligadas a Grhegory. Uma delas é a holding familiar G.P.P.M.M. Participações e Empreendimentos Ltda., que, segundo a decisão, teria recebido aportes provenientes dos valores investigados. A empresa seria administrada pela sogra do consultor e, anteriormente, pela esposa de Gustavo Fernandes da Silva, outro investigado no caso”.

A segunda empresa citada é a Maia Reining Horses Ltda., constituída em julho de 2025 e voltada à criação de cavalos e ao comércio de embriões e sêmen. A decisão aponta suspeitas de que a sociedade teria sido utilizada para ocultar valores. Essa é uma hipótese da investigação, e não uma conclusão definitiva sobre a finalidade da empresa.

O ministro também levou em consideração a atuação profissional de Grhegory como consultor jurídico-geral do TCE-MT. Segundo a decisão, ele atuou em processos no Supremo Tribunal Federal (STF) que discutiam verbas indenizatórias destinadas aos membros do Tribunal de Contas, enquanto figurava como principal destinatário dos pagamentos investigados.

Ao fundamentar a prisão preventiva, Og Fernandes considerou que medidas cautelares alternativas seriam insuficientes para impedir eventual interferência na produção de provas. A decisão afirma que Grhegory é apontado pela investigação como “o principal destinatário dos pagamentos e articulador jurídico e financeiro”.

Grhegory está entre os seis alvos de prisão preventiva no caso. A investigação apura suspeitas de irregularidades em pagamentos e movimentações financeiras relacionadas ao TCE-MT. A decretação da prisão não representa condenação, e as suspeitas ainda deverão ser apuradas no curso do processo.

A operação

APF mobilizou mais de 180 policiais para cumprir seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. As medidas foram autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Além de Sérgio Ricardo, estão entre os alvos presos: Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, consultor jurídico-geral do TCE-MT; Felipe José Glinke e Adriangelo Barros Antunes, servidores da instituição; Roseli Loss, secretária executiva do tribunal; e Gustavo Fernandes da Silva.

A operação também resultou no afastamento dos conselheiros Guilherme Maluf e Alisson Alencar, que foram alvos de mandados de busca e apreensão. Valter Albano, conselheiro aposentado que integrou a comissão de fiscalização da corte, também foi atingido por medida de afastamento, conforme informações preliminares. A investigação apura indícios de que a suspensão de contratos administrativos teria sido utilizada como mecanismo de pressão sobre fornecedores, além de possível tratamento diferenciado na liberação de recursos públicos.

Também são investigadas divergências nos pagamentos a empresas, movimentações financeiras atípicas envolvendo servidores e saques recorrentes em espécie. A PF busca esclarecer possíveis relações entre créditos bancários e retiradas realizadas nas dependências do tribunal.

Os fatos investigados podem configurar, em tese, crimes contra a Administração Pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A investigação está em andamento, e os mandados de prisão preventiva não representam condenação dos investigados.


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