- CUIABÁ
- QUINTA-FEIRA, 29 , OUTUBRO 2026
Waldir Teis assumirá a presidência do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) nesta quinta-feira (29), após a prisão de Sérgio Ricardo de Almeida durante a Operação Tomada de Contas, da Polícia Federal. Vice-presidente da Corte no biênio 2026/2027, Teis retorna ao comando da instituição pouco mais de um mês depois de ter sido retirado pelo então presidente da supervisão da Escola Superior de Contas.
A mudança ocorre em meio às buscas na sede do tribunal e em imóveis ligados aos investigados. A Polícia Federal apura suspeitas de irregularidades em contratos administrativos, pagamentos a empresas e movimentações financeiras de servidores.
Além da prisão de Sérgio Ricardo, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou o afastamento dos conselheiros Guilherme Maluf e Alisson Alencar de suas funções. A medida também atingiu o conselheiro aposentado Valter Albano, que continuava atuando na Comissão Permanente de Sustentabilidade Fiscal do TCE-MT. Os três foram alvos de mandados de busca e apreensão.
A chegada de Teis à presidência ocorre após uma sequência de divergências internas no tribunal. Nas últimas semanas, desentendimentos durante julgamentos e decisões administrativas expuseram conflitos entre integrantes do colegiado.
Um dos episódios ocorreu em 6 de outubro, durante a análise de um processo relacionado a falhas no pavimento da MT-170. Na sessão, Teis questionou a atuação de Sérgio Ricardo e criticou a condução do caso. O presidente reagiu, e os dois discutiram em plenário.
Na ocasião, estava em debate a decisão de Sérgio Ricardo de assumir a relatoria de um processo originalmente atribuído a Campos Neto. Teis votou contra a medida, mas o julgamento terminou empatado, e a relatoria permaneceu com o presidente.
Antes do confronto, em 21 de setembro, Sérgio Ricardo havia retirado Teis da supervisão da Escola Superior de Contas e assumido a função.
Operação
A operação desta quinta-feira resultou em buscas no apartamento de Sérgio Ricardo, em um edifício de luxo na Avenida do CPA, e na sede do TCE-MT. Entre os itens apreendidos estão dinheiro em espécie, joias, relógios e garrafas de vinho.
A ação mobiliza mais de 180 policiais federais para cumprir seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. As ordens foram autorizadas pelo STJ, que também determinou medidas de quebra de sigilos e sequestro de bens.
Segundo a Polícia Federal, a investigação apura indícios de que suspensões de contratos teriam sido usadas como mecanismo de pressão sobre fornecedores, além de possíveis favorecimentos na liberação de recursos públicos. Os investigadores também analisam divergências em pagamentos a empresas, movimentações financeiras atípicas de servidores e saques recorrentes em dinheiro.