- CUIABÁ
- SÁBADO, 28 , MARÇO 2026
Entrou em vigor nesta quinta-feira (26) o severo reajuste nos preços dos combustíveis anunciado pelo governo chileno, medida que se tornou o primeiro grande teste político para o presidente José Antonio Kast. Empossada em 11 de março, a nova administração acionou mecanismos de ajuste para alinhar os valores domésticos à disparada do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelos conflitos no Oriente Médio.
Impacto imediato nas bombas e consumo
Com as contas públicas pressionadas, o Ministério da Fazenda informou que o Estado não possui mais margem fiscal para subsidiar a alta de custos. O reflexo nas bombas foi imediato e drástico:
Gasolina: alta de aproximadamente 30%.
Diesel: salto de 60%.
O anúncio, realizado no início da semana, provocou uma corrida aos postos de abastecimento, gerando longas filas e episódios de desabastecimento em diversas regiões do país.
Desgaste Político e Inflação
Para Victor Salas, pesquisador da Universidade de Santiago, a decisão de transferir integralmente a variação do petróleo para o consumidor final possui um “custo político inevitável”, além do impacto inflacionário direto sobre o custo de vida.
Os números já refletem essa erosão. Segundo a consultoria Cadem, a aprovação de Kast recuou para 47%, enquanto a desaprovação superou a aprovação pela primeira vez no mandato. O levantamento aponta que 59% dos chilenos acreditam que o aumento poderia ter sido evitado.
“O governo cedeu e transferiu os custos do petróleo para a economia interna. Isso gera pressões inflacionárias que atingem diretamente o bolso da população”, analisa Salas.
Resposta do Governo e Projeções Econômicas
O ministro das Finanças, Jorge Quiroz, tentou acalmar os mercados e a opinião pública afirmando que futuras flutuações serão repassadas de forma gradual. Como medida de mitigação, o governo anunciou o congelamento das tarifas de transporte público até dezembro.
Embora o JP Morgan avalie que o congelamento ajude a conter o choque inicial, a instituição alerta para “pressões inflacionárias não lineares”. Paralelamente, o Banco Central do Chile revisou suas projeções, estimando que a inflação atinja o patamar de 4% ao ano já no segundo trimestre.
Contexto Político: “Governo de Emergência”
Kast, o líder mais à direita desde a redemocratização chilena, atribuiu a necessidade do ajuste à herança econômica deixada por seu antecessor, Gabriel Boric. Ao classificar sua gestão como um “governo de emergência”, o presidente busca focar na recuperação fiscal, embora analistas alertem para o risco iminente de agitação social e greves no setor de transportes, que podem paralisar o país nas próximas semanas.