quarta-feira, 5 - agosto 2026 - 11:19



TIRO NO CRAS

Antes de matar PM, suspeito registrou BO denunciando suposta traição em VG


Allan Mesquita / Da Redação
Reprodução
Reprodução

Jonathan Vieira dos Santos, 33 anos, identificado como o autor do assassinato do cabo da Polícia Militar Renato Oliveira Aragão, 32, na noite de terça-feira (4), procurou a polícia, cerca de 3 meses do crime, para registrar um Boletim de Ocorrência (B.O) denunciando a suposta traição da vítima com a sua companheira. A informação foi confirmada pelo delegado Rogério Gomes, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), ao comentar o crime ocorrido durante uma aula de jiu-jítsu em um projeto social realizado no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do bairro Cristo Rei, em Várzea Grande.

Segundo o delegado, no documento, ele informou a situação às autoridades, solicitou providências e afirmou que fazia o registro para “se resguardar”. O boletim foi anexado ao inquérito e passou a integrar o conjunto de provas analisadas pela DHPP.

“Há um boletim de ocorrência, de fato, que está juntado aos autos de forma sigilosa, mas eu posso dar aqui algumas informações sobre esse boletim, registrado pelo suspeito, onde ele informa toda essa situação envolvendo a sua companheira e a vítima sobre esse suposto relacionamento amoroso. Ele informa, inclusive, aos policiais ali do batalhão da área, pede certas providências nesse sentido. E, segundo ele, esse boletim era para se resguardar, como está no próprio boletim de ocorrência. Foi juntado aos autos de inquérito, é uma peça importante para a investigação”, disse.

Conforme Rogério Gomes, todas as informações reunidas até o momento apontam para uma motivação passional. A investigação também apura indícios de premeditação, já que testemunhas relataram que Jonathan chegou a procurar Renato no mesmo local onde ocorreu o homicídio dias antes do ataque.

“Tudo aponta, até o momento, para uma motivação passional, já que as informações indicam que a vítima estaria tendo um envolvimento amoroso com a esposa ou companheira do suspeito. Tudo indica para essa motivação”, disse.

Ao ser questionado se o crime foi planejado, o delegado afirmou que os elementos colhidos pela DHPP reforçam essa hipótese. “Tudo indica que sim. Inclusive, há informações de uma das testemunhas de que ele teria procurado a vítima nesse local dias antes. E há várias informações que apontam que o suspeito estaria dando certos sinais de alerta do seu descontentamento com esse possível envolvimento amoroso da vítima com a sua esposa.”

Outro elemento que reforça essa linha investigativa é o fato de o suspeito ter entrado em contato recentemente com a esposa da vítima para informar que o marido dela estaria mantendo um relacionamento com sua companheira. Apesar disso, segundo a DHPP, não há, até o momento, registro de ameaças diretas entre Jonathan e o cabo da PM.

“Ele fez, inclusive, contato com a esposa da vítima recentemente, dois ou três dias, isso foi confirmado por ela, para informar: ‘Olha, o seu marido está se envolvendo com a minha mulher’. Então teve, inclusive, esse tipo de contato. Até agora não veio nenhuma informação nesse sentido, nenhum tipo de ameaça, de um lado nem de outro”, ponderou.

Morte

Renato Oliveira Aragão foi morto enquanto ministrava uma aula de jiu-jítsu em um projeto social. Jonathan invadiu o espaço armado com um revólver e efetuou diversos disparos contra o policial. Após o crime, foi contido por alunos e outras pessoas que participavam da atividade até a chegada da Polícia Militar, sendo preso em flagrante.

Durante o interrogatório, Jonathan exerceu o direito de permanecer em silêncio. Ainda assim, foi autuado por homicídio qualificado e permanece preso, enquanto a Polícia Civil dá continuidade às investigações para esclarecer todas as circunstâncias do caso.

 


Entre no nosso canal do Whatsapp e receba noticias em tempo real. Clique Aqui
+