- CUIABÁ
- QUARTA-FEIRA, 11 , MARÇO 2026
A vereadora por Cuiabá Michelly Alencar (União) afirmou que espera que as mulheres não sejam tratadas como “escada” política dentro das legendas após o União Brasil negar o pedido para que ela deixe a sigla. Em entrevista ao FatoAgora, nesta terça-feira (11), a parlamentar comentou o impasse após fazer um desabafo durante sessão da Câmara Municipal de Cuiabá.
Segundo Michelly, o momento é delicado e envolve um projeto político coletivo. “Não é fácil, né? A gente está aí em um projeto que não é só meu. É um projeto que envolve tantas mulheres, envolve tantas pessoas que querem ver mudança, envolve pessoas que acreditam no meu trabalho e têm essa mesma perspectiva de ver as coisas acontecendo”, afirmou.
O posicionamento da vereadora ocorre após o governador Mauro Mendes, que preside o União Brasil em Mato Grosso, afirmar que a sigla não pretende autorizar a desfiliação de vereadores eleitos pela legenda, entre eles Michelly Alencar. A parlamentar tenta deixar o partido para viabilizar uma pré-candidatura à Assembleia Legislativa de Mato Grosso pelo Partido Novo.
Durante a sessão na Câmara Municipal de Cuiabá, Michelly também defendeu que o debate sobre a participação feminina na política precisa ir além do simples cumprimento da legislação eleitoral. Segundo ela, é necessário ampliar as condições para que as mulheres tenham espaço real de disputa e representação nas eleições.
A vereadora explicou que decidiu se colocar como pré-candidata a deputada estadual para representar um grupo que busca ampliar a presença feminina na política.
“Quando eu decidi me colocar em exposição para um projeto a deputada estadual, eu fui. Não estou aqui para disputar eleição por disputar, é realmente para atender o anseio dos eleitores. A gente tem um estado que não tem a representatividade feminina que merece. Só temos uma deputada e ela não veio em reeleição”, disse.
Michelly também afirmou que avalia que, dentro do atual cenário partidário, a disputa pode não ocorrer em condições iguais. Isso porque a parlamentar avalia que permanecer no União Brasil poderia significar uma corrida interna desvantajosa, já que o partido conta atualmente com quatro deputados estaduais que devem buscar a reeleição: Eduardo Botelho, Dilmar Dal Bosco, Júlio Campos e Sebastião Rezende.
“Quando eu vejo que essa perspectiva de disputa acaba se restringindo, porque por mais que o União Brasil seja um partido forte, ali as chances reais de disputa não são de igual para igual, elas não são justas, eu diria”, declarou.
Ela afirmou que ainda está avaliando os próximos passos políticos após a decisão da legenda.
“Nesse momento eu estou fazendo muitas avaliações, estou avaliando como vai ser esse processo daqui para frente e espero que as coisas se ajustem”, pontuou.
A parlamentar reforçou que espera mais respeito às mulheres no processo eleitoral. “Espero cada dia mais que a mulher seja respeitada no pleito, que ela seja respeitada dentro do processo eleitoral e que, de fato, realmente a gente não seja considerada número ou lugar de escada para quem já está aí há mais tempo”, disse.
Questionada se ficou chateada com a decisão do partido, Michelly afirmou que esperava outro desfecho.
“Eu esperava que fosse de uma outra forma. Isso sim”, concluiu.