- CUIABÁ
- QUARTA-FEIRA, 15 , ABRIL 2026
O embate político envolvendo a transferência territorial da área onde está sendo construído o Hospital Universitário Júlio Müller para Santo Antônio de Leverger ganhou novos capítulos nesta terça-feira (14), com troca de críticas entre o prefeito Abilio Brunini (PL) e o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Max Russi (Podemos). A discussão teve reação do gestor no início da tarde e, por fim, um acordo em tom bem-humorado entre as autoridades.
A crise teve início após declarações do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), que criticou a aprovação de uma lei estadual que alterou os limites territoriais entre a Capital e Santo Antônio de Leverger, incluindo na mudança a área do hospital. O chefe do Executivo afirmou que o Parlamento estaria “surrupiando” áreas da Capital e repassando à cidade vizinha.
Em resposta, o presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos), negou qualquer prejuízo ao município e classificou as críticas como exageradas. “O hospital continua no mesmo lugar. Talvez ele não esteja passando por lá, em virtude até de uma série de buracos que tem até aquele local. Mas o hospital não mudou, só mudou o CEP”, disparou Max, em tom irônico.
Ele também reforçou que a unidade será de atendimento amplo. “Hospital Júlio Müller vai ser um hospital de referência e não é um hospital para Cuiabá, ele é um hospital para Mato Grosso. O SUS é porta aberta, então, todos que precisarem [serão atendidos]”.
Max ainda destacou que o Parlamento tem sido parceiro da Capital e apontou que o deputado Wilson Santos (PSD) está à frente das articulações para corrigir a situação.
Horas depois, já no início da tarde, Abilio voltou a se manifestar, desta vez após falar com a imprensa, elevando o tom ao defender que Cuiabá não foi consultada sobre a mudança territorial.
“Quando através de um projeto de lei na Assembleia você pega um pedaço do município de Cuiabá e passa para outro município, é tomado o município de Cuiabá sem nenhuma consulta, sem nenhuma conversa com o município”, afirmou.
Apesar das críticas, o prefeito sinalizou satisfação com a possibilidade de revisão da medida:
“Fico feliz que o presidente da Assembleia, junto com os demais deputados, vão devolver ao município de Cuiabá essa importante área”.
Abilio reforçou que a preocupação vai além da estrutura física do hospital:
“Não há nenhuma preocupação apenas sobre o prédio em si. Tem o Nova Esperança ali do lado, tem o Pique Zero ali do lado, além disso tem toda a gestão plena na área da saúde”.
O prefeito ainda alertou para impactos administrativos e financeiros:
“Todos os serviços que são vinculados à saúde de Cuiabá […] nós não podemos perder um hospital importante quanto esse na gestão plena do município. “Se a gente for pegar o teto MAC da saúde do município de Cuiabá […] é incompatível um hospital daquele porte ser gerenciado por uma cidade que não tem essas condições”.
Polêmica
A polêmica gira em torno de uma lei de autoria de Wilson Santos que redefiniu os limites entre Cuiabá e Santo Antônio de Leverger. Com isso, áreas que pertenciam à Capital, incluindo o hospital em construção, passaram oficialmente ao município vizinho.
Segundo Abilio, o hospital depende de infraestrutura garantida hoje por Cuiabá, como abastecimento de água, esgoto e logística urbana. Ele também ressaltou que a Capital possui gestão plena da saúde em regime tripartite, ao contrário de Leverger, o que poderia gerar entraves, inclusive com a Universidade Federal de Mato Grosso, responsável pela unidade.
‘Sem tretas’
Apesar do clima tenso pela manhã, o cenário mudou ao longo do dia. Durante o Fórum Economia e Desenvolvimento Institucional, promovido pelo LIDE MT, Abilio e Max se encontraram ao lado do governador Otaviano Pivetta (Republicanos).
Durante o evento, o prefeito publicou um vídeo nas redes sociais minimizando o conflito e adotando tom descontraído. “Parem de ficar criando treta na internet. Acabei de combinar com o Max: vou tapar o buraco da região do Hospital Julio Müller e ele me devolve o hospital”.
Na mesma gravação, Max confirmou o entendimento e se comprometeu a atuar pela correção da lei:
“Eu vou devolver o hospital para fazer a correção do projeto e vamos avançar por Cuiabá”.
Abilio completou. “É isso aí. O Julio Müller é nosso e é de Mato Grosso. Vamos trazer só o CEP de volta”.
Veja o vídeo:
Ver essa foto no Instagram
Ver essa foto no Instagram
Ver essa foto no Instagram