- CUIABÁ
- SEXTA-FEIRA, 27 , FEVEREIRO 2026
A decisão da Justiça que afastou o vereador por Cuiabá Chico 2000 (sem partido) do cargo e alcançou dois servidores da Câmara Municipal revelou, segundo a Polícia Civil, um esquema estruturado e profissional para o desvio de recursos públicos por meio de emendas parlamentares.
Conforme documentos da Operação Gorjeta, obtidos pela reportagem, os assessores Joaci Conceição Silva e Rubens Vuolo Júnior extrapolavam as funções de gabinete e atuavam como figuras-chave na engrenagem financeira, garantindo que parte dos valores destinados por emendas retornasse ao entorno do parlamentar.
Apontado como o principal articulador do fluxo de recursos, Joaci Conceição Silva acumulava cargos estratégicos. Além de assessor no gabinete do vereador Mário Nadaf (PV), ele exercia simultaneamente a função de tesoureiro do Instituto Brasil Central (IBRACE), entidade que recebia emendas milionárias indicadas por Chico 2000 e concentrava os repasses financeiros do grupo.
De acordo com a investigação, Joaci utilizava a posição no instituto para controlar e executar pagamentos às empresas envolvidas, assegurando que o dinheiro seguisse o caminho previamente combinado. Em abril de 2025, a Polícia Civil identificou transferências que totalizam R$ 7 mil das contas do IBRACE para a conta pessoal do assessor.
Já Rubens Vuolo Júnior é descrito no inquérito como o responsável pela etapa final do esquema, ligada à ocultação e à lavagem de dinheiro (lavagem de dinheiro é a tentativa de disfarçar a origem ilegal dos recursos). Ele teria intermediado pagamentos considerados suspeitos e que beneficiavam diretamente despesas da vida privada do vereador.
Um dos episódios que mais chamou a atenção dos investigadores envolve uma transferência de R$ 20 mil. O valor partiu de uma empresa prestadora de serviços ao IBRACE, abastecida com recursos de emendas parlamentares, e foi depositado na conta de um pedreiro responsável por obras em um imóvel particular de Chico 2000.
Segundo o relatório, Rubens ainda teria encaminhado o comprovante da transação ao vereador com a mensagem objetiva: “na conta”.
Diante do conjunto de provas, a Justiça determinou o afastamento imediato de Joaci e Rubens de seus cargos na Câmara Municipal de Cuiabá. Além disso, os dois estão proibidos de frequentar a Câmara e a Secretaria Municipal de Esportes, manter contato com outros investigados ou testemunhas e deixar a cidade sem autorização judicial.
Ambos também tiveram os sigilos bancário e fiscal quebrados. A Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) apura se o montante desviado é significativamente maior do que os valores já identificados.