quinta-feira, 19 - fevereiro 2026 - 21:30



TRAGÉDIA NAS MONTANHAS

Áustria: alpinista é condenado por morte de namorada


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Um tribunal austríaco condenou, nesta quinta-feira (19), um alpinista amador de 37 anos por homicídio culposo (sem intenção de matar) pela morte de sua namorada por hipotermia. O caso, ocorrido em janeiro de 2025 nas proximidades do Grossglockner — o pico mais alto da Áustria —, chamou a atenção por levar à esfera criminal um incidente em ambiente de alta montanha, onde o risco costuma ser considerado inerente à prática.

A corte de Innsbruck impôs ao réu, identificado como Thomas P., uma pena de cinco meses de prisão suspensa e o pagamento de uma multa de 9.400 euros (aproximadamente R$ 57.700). A sentença baseou-se na negligência do alpinista, que cometeu uma série de erros técnicos e omissões durante a tentativa de resgate.


Erros Fatais a 50 Metros do Cume

De acordo com os relatos apresentados no tribunal, o casal estava muito atrasado em relação ao cronograma previsto para a escalada. Kerstin G., a namorada do réu, atingiu um estado de exaustão extrema a apenas 50 metros do cume, sendo incapaz de prosseguir em uma noite de inverno sob ventos congelantes.

A investigação apontou falhas críticas na conduta de Thomas P.:

  • Abandono sem proteção: O alpinista deixou a namorada exposta ao vento para buscar ajuda em um abrigo do outro lado da montanha. No entanto, não utilizou a manta de emergência ou o saco de bivouac (abrigo portátil) nela — equipamentos que estavam na mochila da própria vítima.

  • Falha na comunicação: O réu realizou uma breve ligação para a polícia de montanha, mas não deixou claro que se tratava de uma emergência de vida ou morte.

  • Isolamento voluntário: Após o contato inicial, ele colocou o celular em modo avião para poupar bateria, ignorando chamadas de retorno e mensagens de WhatsApp das equipes de resgate que tentavam localizar o casal.

Responsabilidade Legal em Altas Montanhas

O julgamento reaqueceu o debate sobre o limite da responsabilidade individual em esportes de risco. Embora acidentes fatais sejam recorrentes nos Alpes, condenações criminais são raras.

Em sua defesa, Thomas P. declarou-se inocente das acusações de negligência criminosa, embora tenha expressado profundo arrependimento. “O que eu quero dizer é que sinto muito, do fundo do coração”, afirmou ao tribunal. A promotoria, por outro lado, argumentou que a omissão de procedimentos básicos de sobrevivência transformou um acidente evitável em uma tragédia fatal.


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