- CUIABÁ
- SEGUNDA-FEIRA, 13 , ABRIL 2026
O consumo frequente de aveia pode trazer benefícios cardiovasculares, especialmente na redução do colesterol total e do LDL, segundo estudo publicado em janeiro na revista Nature Communications. Pesquisadores da Universidade de Bonn, na Alemanha, investigaram os efeitos do cereal em pessoas com síndrome metabólica — condição que inclui resistência à insulina, colesterol alto, hipertensão e obesidade.
No estudo, 68 participantes foram submetidos a uma dieta controlada: parte deles consumiu 300 gramas de aveia por dois dias, enquanto outros mantiveram uma ingestão moderada do cereal por seis semanas. Os resultados indicaram redução nos níveis de colesterol total e LDL, efeitos atribuídos principalmente à betaglucana, uma fibra solúvel que estimula bactérias benéficas a produzirem ácidos que ajudam a regular o colesterol.
“O consumo diário de pelo menos 3 gramas de betaglucana proveniente da aveia está associado a reduções significativas do colesterol”, afirma o médico nutrólogo Diogo Toledo, do Einstein Hospital Israelita. Para atingir essa quantidade, é suficiente ingerir cerca de 60 a 80 gramas de aveia em flocos por dia.
Pontos de atenção
Apesar dos resultados promissores, Toledo alerta que o estudo exige interpretação crítica. “A redução observada em apenas dois dias é interessante, mas não representa uma diminuição estrutural e sustentada do colesterol”, explica. Além disso, a ingestão diária de 300 gramas de aveia não é prática para a maioria da população, e os participantes seguiram um protocolo de redução calórica, o que também contribui para a diminuição dos índices de colesterol. O estudo ainda envolveu um número pequeno de participantes, todos com síndrome metabólica, o que limita a generalização dos resultados para populações metabolicamente saudáveis.
Outras fontes de fibras
A aveia deve ser incorporada a um estilo de vida saudável, mas não substitui medicamentos quando necessários. “Uma dieta rica em fibras solúveis, como as da aveia, pode reduzir o colesterol de forma clinicamente relevante e, em alguns pacientes, adiar ou evitar o início de medicamentos”, reforça Toledo.
Outros alimentos também fornecem fibras protetoras: leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico), cevada, psyllium, sementes (linhaça e chia), oleaginosas, frutas como maçã e cítricos, e vegetais como brócolis e cenoura. “O efeito é mais consistente quando esses alimentos são combinados em um padrão alimentar global saudável, e não consumidos isoladamente”, conclui o nutrólogo.