- CUIABÁ
- TERÇA-FEIRA, 18 , AGOSTO 2026
A construção de um túnel, no valor de R$ 55 milhões, na região do Portão do Inferno pode estar comprometida. De acordo com o deputado estadual Valdir Barranco (PT), a avaliação é de especialistas, diante do projeto que promete solucionar os problemas de deslizamentos na MT-251, entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães (67 km de Cuiabá).
Segundo o parlamentar, especialistas em geologia já apontaram que a alternativa pode ser inviável devido às características do terreno. Barranco também criticou o Governo de Mato Grosso por voltar a responsabilizar o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) pelo impasse envolvendo a obra. Segundo ele, o órgão ambiental chegou a analisar e liberar a intervenção inicialmente proposta pelo Estado para o local.
“Não venha querer colocar agora a culpa novamente no Ibama. Ele falava do Ibama, o Ibama foi rápido. Ele dizia: ‘O Ibama nos concedendo a licença, nós faremos’. O Ibama concedeu e eles não fizeram”, afirmou, nessa quarta-feira (12).
O deputado disse ter participado de reuniões com o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, durante as tratativas para a primeira intervenção no Portão do Inferno. Segundo Barranco, apesar de parte dos técnicos do órgão estar em greve na época, houve esforço para analisar o projeto apresentado pelo Estado. “Fizeram a análise, liberaram a licença”, disse.
A licença ambiental que o parlamentar alega, para o retaludamento, foi concedida pelo Ibama em junho de 2024. A intervenção previa cortes no paredão para reduzir o risco de novos deslizamentos e permitir a recuperação do tráfego na rodovia. A obra foi contratada por R$ 29,5 milhões e ficou sob responsabilidade da Lotufo Engenharia. O projeto, porém, acabou sendo abandonado após novos estudos realizados durante a execução da intervenção. Em junho de 2025, o Governo de Mato Grosso anunciou a mudança da estratégia e decidiu construir um túnel no trecho, em vez de continuar com o retaludamento.
É justamente a nova alternativa que Barranco questiona. De acordo com o deputado, estudos e manifestações de especialistas em geologia já apontaram problemas para a construção do túnel devido à composição do terreno. “Nós temos estudos, inclusive falas de especialista em geologia, que já desaprovaram desde o início essa proposta de túnel, porque ali não é rocha, ali é arenito, é diferente de rocha”, afirmou.
Obra parada
A mudança de projeto também abriu uma nova etapa de licenciamento ambiental. As autorizações concedidas anteriormente eram específicas para o retaludamento e não permitem automaticamente a construção do túnel. Por isso, o Estado precisa de uma nova licença do Ibama.
Em julho deste ano, o secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira, o Marcelo Padeiro, afirmou que o projeto do túnel já havia sido encaminhado ao Ibama e que o licenciamento era o principal entrave para o início da obra. O anteprojeto prevê um túnel de 513 metros de extensão. A proposta foi aprovada pela Sinfra após análise de alternativas de engenharia para resolver o problema de instabilidade no trecho.
Enquanto o licenciamento não é concluído, o trecho segue enfrentando restrições de tráfego desde os primeiros deslizamentos registrados entre o fim de 2023 e o início de 2024. A região passou por interdições e operações de pare e siga devido ao risco de queda de blocos rochosos.
Barranco, no entanto, afirma que a discussão não deve se limitar à demora do Ibama e defende que a viabilidade técnica da solução escolhida pelo Estado seja analisada antes da execução. “Essa aí nunca ninguém pediu [nosso apoio], então eu não tenho acompanhado. Agora, nós temos estudos, inclusive falas de especialista em geologia, que já desaprovaram desde o início essa proposta de túnel”, reforçou.
A região do Portão do Inferno fica dentro do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães e é considerada geologicamente vulnerável. Estudos anteriores já apontavam riscos de deslizamentos e queda de blocos no local.
Veja vídeo: