- CUIABÁ
- SEGUNDA-FEIRA, 13 , ABRIL 2026
O ex-governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, afirmou que a destituição de Mauro Carvalho da presidência do PRD no estado não causa surpresa e reflete a dinâmica interna das legendas partidárias no país.
Ao comentar o episódio, Maggi avaliou que intervenções nas direções estaduais fazem parte da lógica de funcionamento dos partidos, que, segundo ele, concentram poder nas cúpulas nacionais. Essas lideranças, afirmou, tomam decisões de acordo com interesses próprios e dos grupos que comandam.
“A política é muito diferente. Se há algo que funciona como uma espécie de ditadura, no sentido literal, são os partidos. Existe uma liderança que age como ‘dona’ da estrutura e decide o que considera mais conveniente”, declarou.
Na avaliação do ex-governador, mudanças abruptas como a ocorrida no diretório mato-grossense do PRD são recorrentes e não representam exceção. “Não surpreende quando há intervenção em um partido, seja aqui ou em qualquer outro lugar”, acrescentou.
Atualmente filiado à Federação União-Progressista, Maggi disse estar afastado das articulações políticas, mas utilizou exemplos recentes para reforçar sua crítica ao modelo partidário. Ele citou o PSD, liderado nacionalmente por Gilberto Kassab, ao mencionar decisões sobre candidaturas que, segundo ele, desconsideram trajetórias internas.
Como exemplo, mencionou o Ronaldo Caiado, governador de Goiás, ao destacar disputas internas que evidenciariam a concentração das decisões estratégicas nas lideranças nacionais, mesmo diante de pré-candidaturas já consolidadas.
“Às vezes há pessoas construindo uma candidatura por anos, investindo tempo e recursos, e, ao final, a decisão muda de direção. É algo comum. Pode até ser negativo, mas faz parte do jogo político”, afirmou.
A mudança no comando do PRD em Mato Grosso ocorreu no fim de março, quando o presidente nacional da sigla, Ovasco Resende, em conjunto com o dirigente do Solidariedade, Paulinho da Força, comunicou a saída de Mauro Carvalho. A justificativa apresentada foi a falta de organização de uma chapa competitiva para deputado federal.
Nos bastidores, o movimento coincidiu com o reposicionamento de lideranças locais. O partido já havia sinalizado apoio ao grupo ligado ao ex-governador Mauro Mendes, que se articula como pré-candidato ao Senado.
Após a mudança, integrantes do PRD em Mato Grosso migraram para outras legendas da base governista, como o Republicanos e a Federação União-Progressista, redesenhando o cenário político local para as próximas eleições.