domingo, 15 - fevereiro 2026 - 18:13



MERCADO DE TRABALHO

Quase 85% das famílias que recebem o benefício são chefiadas por elas


Reprodução
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Um estudo recente do Fundo Monetário Internacional (FMI) desmistifica a ideia de que o programa Bolsa Família reduz a participação das mulheres no mercado de trabalho. Segundo o levantamento, o recebimento do benefício não atua como desincentivo à busca por emprego; a principal barreira para a inserção profissional feminina, na verdade, reside na carência de infraestrutura de apoio ao cuidado infantil, especialmente para mães de crianças de até seis anos.

O “Gargalo” da Primeira Infância

A pesquisa indica que o afastamento do mercado ocorre de forma acentuada após a maternidade: 50% das mulheres deixam de trabalhar fora até dois anos após o nascimento do primeiro filho. Esse movimento é impulsionado pela sobrecarga de tarefas domésticas e cuidados familiares, atividades nas quais as mulheres dedicam, em média, 10 horas semanais a mais que os homens.

Impacto no PIB e Chefia Familiar

A participação feminina é apontada como um motor econômico subutilizado. O FMI projeta que, se a disparidade de gênero na força de trabalho brasileira fosse reduzida de 20 para 10 pontos percentuais, o Produto Interno Bruto (PIB) do país poderia registrar um incremento de 0,5 ponto percentual até 2033.

O dado ganha ainda mais relevância social quando se observa o perfil dos beneficiários:

  • Protagonismo Feminino: Aproximadamente 85% das famílias atendidas pelo Bolsa Família são chefiadas por mulheres.

  • Administração de Recursos: Elas são as principais responsáveis pela gestão financeira do benefício dentro dos lares.

Recomendações e Soluções

Para o Fundo, a solução para integrar essas mulheres ao mercado não passa pelo corte de benefícios, mas sim por políticas públicas estruturantes. O relatório sugere três eixos prioritários:

  1. Expansão de Creches: Ampliar o acesso ao ensino infantil para liberar as mães para o mercado.

  2. Incentivo ao Trabalho Remunerado: Criar mecanismos que facilitem a conciliação entre carreira e vida familiar.

  3. Equidade Salarial: Combater as diferenças de remuneração entre gêneros, que hoje desencorajam a permanência feminina em postos de trabalho.


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