- CUIABÁ
- QUINTA-FEIRA, 9 , ABRIL 2026
Para quem convive com enxaqueca, a dor vai muito além de uma simples “dor de cabeça forte”. Nesse contexto, um uso pouco conhecido da toxina botulínica, popularmente chamada de botox, tem chamado a atenção: o tratamento da enxaqueca crônica.
As crises frequentes podem comprometer o trabalho, o sono, a concentração, a vida social e até tarefas simples do dia a dia. Quando passam a ser recorrentes, muitas pessoas buscam alternativas além dos analgésicos tradicionais. Embora conhecida pelo uso estético, a toxina botulínica também pode ser indicada em alguns casos para controle da dor, especialmente quando as crises afetam significativamente a qualidade de vida.
Segundo o neurologista Nasser Allam, a toxina botulínica tipo A apresenta eficácia em diversas condições dolorosas crônicas, como migrânea, dor neuropática, dor miofascial e fibromialgia. No caso da enxaqueca crônica, os possíveis benefícios incluem:
“O objetivo não é apenas reduzir a dor, mas permitir que o paciente retome a qualidade de vida”, afirma Allam.
Um dos equívocos comuns é pensar que o tratamento atua apenas relaxando a musculatura. “A toxina botulínica tipo A tem ação multifatorial, envolvendo efeitos periféricos e centrais, distintos e parcialmente independentes de seu efeito bloqueador neuromuscular clássico”, explica o neurologista. Isso significa que o botox também atua em vias relacionadas à dor e à inflamação, além de atuar na contração muscular.
O botox não é indicado para qualquer tipo de dor de cabeça. Ele é recomendado principalmente para pacientes com enxaqueca crônica, quando as crises são frequentes, persistentes e já comprometem a qualidade de vida.
“Cada caso deve ser avaliado individualmente, considerando a frequência das dores, o histórico de tratamento e o quadro clínico do paciente”, reforça Allam.
Para pacientes com enxaqueca frequente, o botox pode oferecer mais previsibilidade, mais controle e menos interrupções na rotina diária. Ainda que não seja uma solução milagrosa, o tratamento pode representar uma melhora significativa na qualidade de vida de quem sofre com crises repetidas.