sexta-feira, 30 - janeiro 2026 - 13:42



EXTORSÃO DO PRAZER

'Boy do Grindr' mirava homens casados para aplicar golpes em app gay em Cuiabá


Da Redação / FatoAgora
Rudson Willian da Silva
Rudson Willian da Silva

O delegado Antenor Junior Pimentel Marcondes, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), afirmou que Rudson Willian da Silva, de 30 anos, preso sob acusação de extorquir homossexuais em Cuiabá, escolhia vítimas que apresentavam algum tipo de fragilidade emocional, social ou familiar. Entre os principais alvos estavam homens casados ou pessoas que pudessem ser chantageadas a partir de conteúdos íntimos.

Rudson foi detido na quarta-feira (28), nas imediações da Rodoviária de Cuiabá. Até o momento, a Polícia Civil identificou ao menos sete vítimas, mas a investigação aponta que o número pode ser significativamente maior.

Em entrevista ao programa SBT Comunidade, o delegado explicou que o suspeito se aproveitava de situações íntimas para pressionar as vítimas financeiramente. “Qualquer vulnerabilidade era usada contra a pessoa, fosse o estado civil ou a existência de fotos e vídeos íntimos”, afirmou.

Para cometer os crimes, Rudson utilizava aplicativos e plataformas de relacionamento, como Skokka, Bate-Papo UOL e o Grindr, aplicativo voltado à comunidade LGBTQ+. O objetivo era iniciar conversas de teor sexual, conquistar a confiança das vítimas e, em alguns casos, marcar encontros presenciais.

Segundo a Polícia, a extorsão começava durante as conversas on-line ou após o primeiro encontro. O investigado ameaçava divulgar imagens e vídeos íntimos, alguns supostamente gravados sem o consentimento das vítimas. “Ele explorava a vulnerabilidade das vítimas e fazia ameaças de exposição, o que causava forte impacto psicológico”, explicou o delegado.

Inicialmente, Rudson tentou atribuir a responsabilidade dos crimes às próprias vítimas, mas posteriormente confessou. Além da prisão preventiva, a Justiça autorizou mandados de busca e apreensão, a quebra de sigilo telemático e o bloqueio de valores que podem chegar a R$ 40 mil.

De acordo com as investigações, os valores exigidos variavam, geralmente em torno de R$ 1 mil. “Não eram quantias altas, mas ele insistia e aumentava as cobranças usando o medo da exposição”, relatou o delegado.

Rudson já possuía registros anteriores por delitos de menor gravidade. Apesar de sete vítimas confirmadas, a Polícia acredita que outras pessoas tenham sido extorquidas, mas não denunciaram por receio ou constrangimento. “Por se tratar de um crime sensível, muitas vítimas acabam não procurando a polícia”, concluiu Antenor Marcondes.


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