quarta-feira, 25 - março 2026 - 12:00



DENÚNCIA DA OI

Vídeo - Buzetti nega tentativa de impedir oitiva e confronta Taques em CPI no Senado


Allan Mesquita / Da Redação
Buzetti e Taques – Pedro França/Agência Senado
Buzetti e Taques – Pedro França/Agência Senado

A senadora Margareth Buzetti (PP) negou ter tentado barrar a oitiva do ex-governador Pedro Taques sobre o escândalo da Oi na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, nesta quarta-feira (25). A parlamentar confrontou o ex-gestor e fez a defesa direta do governador Mauro Mendes (União).

Logo no início de sua fala, Buzetti tratou de rebater as críticas de que teria atuado nos bastidores para impedir a convocação de Taques. A parlamentar afirmou que foi alvo de acusações na imprensa, mas negou qualquer articulação nesse sentido e destacou que, ao contrário, votou favoravelmente à presença do ex-governador na comissão.

“Eu fui acusada pela imprensa de estar manipulando, estar querendo barrar a CPI, ou a convocação do senador Pedro Taques. Na última CPI, eu votei pela aprovação e a convocação do senhor Pedro Taques, poderia, sim, ter utilizado instrumentos regimentais como o chamado kit de obstrução, mas não o fiz”, DISSE.

Na sequência, a senadora passou a confrontar diretamente Taques, questionando a consistência de suas denúncias e levantando possíveis motivações políticas por trás das acusações envolvendo o acordo tributário da empresa Oi.

O ponto de maior tensão ocorreu quando Buzetti trouxe à tona o histórico eleitoral entre Taques e o atual governador de Mato Grosso, sugerindo que o embate poderia ter fundo pessoal. “O senhor disputou as eleições com o governador Mauro Mendes, lá em 2018, e o senhor perdeu essa eleição para ele. A minha pergunta é: tem alguma mágoa disso?”, pontuou.

Em seguida, a senadora elevou o tom ao relembrar episódios da gestão de Taques, citando prisões de secretários e escândalos administrativos, como o caso d Grampolândia Pantaneira e prisões de ex-secretário, numa tentativa de fragilizar a autoridade do ex-governador para fazer as denúncias.

Ao ser confrontado sobre uma possível motivação pessoal por trás das denúncias, especialmente após a lembrança de que foi derrotado pelo atual governador em 2018, Taques negou qualquer ressentimento e afirmou que sua atuação não tem relação com disputas eleitorais.

“Mágoa se resolve com psicólogo, com caminhada. Eu não tenho mágoa”, pontuou.

Na sequência, ele reforçou que reconheceu o resultado das urnas e destacou que respeitou o processo democrático ao deixar o cargo. “Eu perdi a eleição. Entreguei a faixa pro governador, dei um abraço nele. Eu não disse que as urnas foram fraudadas. Para mim, as urnas foram certas.”

O ex-governador rebateu às citações sobre investigações e prisões ocorridas durante sua gestão. Segundo ele, todas as apurações foram conduzidas sem interferência e acabaram arquivadas, sem responsabilização direta contra sua pessoa.

“Durante cinco anos, eu fiquei absolutamente em silêncio. Os 15 inquéritos contra mim foram arquivados. Eu não tenho nem uma ação penal, nem uma ação de improbidade contra mim”, alegou.

Ainda durante a resposta, Taques afirmou que sua manifestação na CPI está baseada em elementos formais e medidas adotadas por ele fora do ambiente político. “Eu fiz a minha parte como cidadão. Coloquei no papel, assinei e levei às autoridades competentes”, finalizou.

Denúncia

A ação foi ajuizada pelo ex-governador Pedro Taques (2015–2019) e aponta que empresas ligadas a parentes do governador Mauro Mendes e do deputado federal licenciado e chefe da Casa Civil, Fábio Garcia (União), teriam se beneficiado de um acordo firmado para o pagamento de uma dívida tributária da empresa Oi, no valor de R$ 308 milhões. A denúncia também cita suposto favorecimento ao desembargador Ricardo Almeida, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

O governo do Estado nega qualquer irregularidade e sustenta que o acordo foi legal, vantajoso e resultou em economia de quase R$ 300 milhões aos cofres públicos, além de evitar bloqueios judiciais. A Procuradoria-Geral do Estado classificou como “má-fé processual” a alegação de que a ação rescisória da Oi teria sido protocolada fora do prazo e afirmou que Pedro Taques distorce fatos jurídicos com possível objetivo eleitoral.

Veja o vídeo:


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