- CUIABÁ
- QUINTA-FEIRA, 15 , JANEIRO 2026


A cabeleireira Jheine Rodrigues Pinheiro, cunhada de Sebastião Lauze, o “Dandão”, apontado como líder de uma organização criminosa atuante em Cuiabá (MT), movimentou mais de R$ 1,3 milhão em um período de um ano, segundo a Polícia Civil. Ela foi presa na manhã desta quinta-feira (21), durante a Operação Ludus Sordidus, que investiga crimes como jogos de azar, estelionato, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
De acordo com os investigadores, Jheine se apresentava como profissional da beleza, mas movimentações financeiras realizadas entre 4 de fevereiro de 2022 e 16 de julho de 2022, e novamente entre 29 de dezembro de 2022 e 29 de junho de 2023, apontam para um padrão de vida incompatível com sua renda declarada. Além disso, ela teria adquirido veículos de luxo em nome do cunhado.
As análises patrimoniais e financeiras feitas nas contas bancárias de diversos associados ao grupo indicaram que Jheine foi uma das peças mais relevantes no esquema. Segundo o relatório policial, “essas pessoas figuravam formalmente como titulares de bens (imóveis e veículos de luxo) ou operadores de contas que recebiam e transferiam grandes quantias, sem lastro com sua renda declarada. Um dos casos mais expressivos foi o de Jheine Rodrigues Pinheiro”.
O líder: Sebastião Lauze, o “Dandão”
Sebastião Lauze, conhecido como “Dandão”, é apontado como o líder do esquema. Ele era presidente do time SN Futebol Clube e utilizava ações assistencialistas como forma de ampliar seu poder e influência nos bairros Osmar Cabral, Jardim Liberdade e adjacências, em Cuiabá. Entre essas ações, destacam-se o fornecimento de cestas básicas, gás de cozinha e outros auxílios à população carente.
Além de Jheine, foram presos na operação: Ozia Rodrigues (conhecido como Shelby), Dainey Aparecido da Costa (Playboy), Renan Curvo da Costa, Ronaldo Queiroz de Amorim, Ronaldo Queiroz de Amorim Júnior e Paulo Augusto e Silva Dias. Três deles já estavam detidos por outros crimes.
Sebastião passou por audiência de custódia e teve a prisão domiciliar concedida mediante uso de tornozeleira eletrônica. A decisão foi tomada após a defesa apresentar um laudo médico que apontou quadro de cardiopatia, com entupimento arterial e risco de infarto.
Outros envolvidos e desdobramentos
Durante o cumprimento dos mandados da operação, João Bosco Queiroz de Amorim, conhecido como “Bosco” ou “Faixa Preta”, morreu após reagir à abordagem policial. Ele chegou a ser socorrido com vida, mas não resistiu aos ferimentos. Outro suspeito, Weberton Pedro da Silva, segue foragido.
As investigações tiveram início em dezembro de 2023, após integrantes da facção criminosa interromperem uma reunião comunitária no bairro Jardim Liberdade, sob ameaças. A suspeita é de que o encontro teria sido interpretado como um evento político, por conta da presença de um secretário de Estado, sendo que a irmã de um dos investigados era pré-candidata a vereadora.
A partir desse episódio, foi instaurado um inquérito policial na GCCO/Draco, que identificou uma célula da facção criminosa atuando de forma estruturada na região, praticando diversos crimes e utilizando familiares e laranjas para movimentação de recursos ilícitos.