- CUIABÁ
- QUARTA-FEIRA, 11 , FEVEREIRO 2026
Pesquisa publicada no periódico JAMA acompanhou 132 mil pessoas por quatro décadas e indica que o hábito pode reduzir em até 18% as chances de desenvolver a condição.
O consumo moderado de cafeína pode ser um aliado importante na preservação da saúde cerebral a longo prazo. Um estudo robusto publicado na última segunda-feira (9/2) no periódico científico JAMA revela que a substância está associada a um menor risco de demência e a um declínio cognitivo mais lento. Ao monitorar quase 132 mil pessoas por cerca de 40 anos, os pesquisadores observaram que aqueles com maior ingestão de cafeína apresentaram um risco 18% menor de desenvolver o quadro em comparação aos que consumiam pouco ou nenhum café.
Metodologia e Desempenho Cognitivo
Conduzido por pesquisadores do Hospital Mass General Brigham, em Boston, o estudo utilizou dados de grandes levantamentos populacionais iniciados na década de 1980. O consumo foi estimado via questionários alimentares periódicos sobre a frequência de ingestão de café, chá e outras fontes.
Dos participantes, cerca de 11 mil desenvolveram demência ao longo do acompanhamento. No entanto, uma parcela de 17 mil voluntários submetidos a testes de memória e atenção por telefone demonstrou que os consumidores de cafeína mantiveram um desempenho superior em habilidades cognitivas. Um detalhe crucial: o café descafeinado não apresentou os mesmos benefícios, o que reforça a hipótese de que a molécula da cafeína é a protagonista dessa proteção.
A dose ideal: o caminho do meio
Os dados indicam que o “equilíbrio” é a palavra-chave. Os benefícios foram mais acentuados em pessoas que consumiam entre duas a três xícaras de café ou uma a duas xícaras de chá por dia. O consumo em excesso não trouxe vantagens adicionais, sugerindo que existe um teto para a eficácia preventiva da substância.
O fator genético e o papel da prevenção
Um dos pontos mais inovadores da pesquisa, destacado pelo autor principal Yu Zhang, é que a proteção se manteve constante independentemente da predisposição genética do indivíduo. “Observamos resultados consistentes tanto em pessoas com alto quanto baixo risco genético”, afirma Zhang.
Apesar do otimismo, os autores fazem ressalvas:
Estudo Observacional: A pesquisa aponta uma associação, mas não prova uma relação de causa e efeito direta.
Multifatorial: A cafeína não substitui pilares como atividade física, dieta equilibrada e controle de doenças crônicas.
O cenário no Brasil e o papel do SUS
A demência não é uma doença única, mas um conjunto de sintomas que inclui perda de memória, desorientação e dificuldades de linguagem. No Brasil, o Ministério da Saúde estima que até 45% dos casos podem ser prevenidos ou retardados com mudanças no estilo de vida.
Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece diagnóstico precoce e tratamento multidisciplinar em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e centros de referência. Identificar a condição precocemente é fundamental para retardar os sintomas, aliviar a sobrecarga familiar e garantir dignidade ao paciente.