- CUIABÁ
- QUINTA-FEIRA, 3 , SETEMBRO 2026
O presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, vereador Wanderley Cerqueira (MDB), encaminhou à Comissão de Ética Parlamentar o pedido do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) contra o vereador Rogério de França Martins, o Rogerinho Dakar, para apuração dos fatos após a divulgação de um vídeo em que ele aparece recebendo maços de dinheiro. A informação foi confirmada com exclusividade ao FatoAgora, no início da tarde desta quarta-feira (2).
A recomendação havia sido expedida pela 1ª Promotoria de Justiça Cível de Várzea Grande, especializada na Defesa da Probidade Administrativa e do Patrimônio Público, e assinada pela promotora de Justiça Taiana Castrillon Dionello. O documento faz parte de um inquérito civil que apura a origem, a natureza e as circunstâncias dos valores em espécie supostamente recebidos pelo ex-diretor-presidente do Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE-VG).
As imagens, que mostram Rogerinho recebendo maços de cédulas e uma sacola com dinheiro, foram anexadas ao procedimento do Ministério Público e passaram por análise preliminar. A investigação também considera informações relacionadas a apurações envolvendo o DAE e áudios atribuídos ao vereador.
Com o encaminhamento feito por Wanderley, caberá agora à Comissão de Ética da Câmara analisar os elementos apresentados pelo Ministério Público e avaliar se os fatos podem configurar eventual quebra de decoro parlamentar. Rogerinho estava licenciado do mandato quando comandava o DAE, mas permaneceu titular do cargo de vereador.
O Ministério Público ressalta que a recomendação não representa antecipação de culpa, mas busca garantir que o Legislativo exerça sua competência para avaliar eventual conduta incompatível com a dignidade do mandato. A Câmara terá 10 dias para informar ao MPMT quais providências foram adotadas e apresentar os documentos que comprovem o atendimento à recomendação.
Prefeitura também investiga
Além da Câmara, a Prefeitura de Várzea Grande também abriu investigação administrativa sobre a gestão de Rogerinho no DAE após a recomendação do Ministério Público.
Por meio do Decreto nº 79/2026, o município determinou a abertura de uma sindicância para apurar os fatos, possíveis prejuízos aos cofres públicos e eventual favorecimento de terceiros. A comissão terá prazo inicial de 30 dias, prorrogável por igual período.
A Controladoria-Geral do Município, com apoio da Controladoria Interna do DAE, também realizará uma auditoria extraordinária em contratos, pagamentos e atos administrativos praticados entre 2 de março e 19 de agosto de 2026, período em que Rogerinho esteve à frente da autarquia.
A Prefeitura ainda estabeleceu um regime especial de acompanhamento do DAE por 180 dias, com acesso dos investigadores a documentos, sistemas e dependências da autarquia. O decreto também restringiu pagamentos de despesas fora do sistema bancário oficial, salvo as exceções previstas em lei.