quinta-feira, 5 - fevereiro 2026 - 08:10



SAÚDE

Casos de sarampo crescem 32 vezes nas Américas; OMS emite alerta


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O crescimento expressivo dos casos de sarampo nas Américas acendeu um alerta na Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre 2024 e 2025, o número de registros da doença aumentou quase 23 vezes no continente.

Em 2025, foram contabilizados 14.891 casos, frente a apenas 446 no ano anterior. No mesmo período, 29 mortes foram confirmadas. Já em 2026, os dados parciais indicam um avanço ainda mais acelerado: somente em janeiro, foram registrados 1.031 casos, número quase 45 vezes superior aos 23 notificados no mesmo mês de 2025. Até o momento, não há confirmação de óbitos neste ano.

A maior concentração dos casos segue na América do Norte. Em 2025, México (6.428), Canadá (5.436) e Estados Unidos (2.242) responderam por quase 95% das ocorrências no continente. Em 2026, os três países somam 948 registros, o equivalente a 92% das notificações.

De acordo com a Opas, a maioria absoluta dos casos envolve pessoas sem histórico de vacinação. Nos Estados Unidos, 93% dos infectados não estavam vacinados ou tinham situação vacinal desconhecida. No México, esse percentual chegou a 91,2%, enquanto no Canadá alcançou 89%.

Para a organização, “o aumento acentuado dos casos de sarampo na região das Américas durante 2025 e no início de 2026 constitui um sinal de alerta que exige ação imediata e coordenada por parte dos Estados-membros”. Em novembro do ano passado, o continente perdeu o certificado de região livre da transmissão da doença.

Situação no Brasil

O Brasil registrou 38 casos de sarampo em 2025, sendo que 36 ocorreram em pessoas sem histórico de vacinação. Em 2024, haviam sido contabilizados apenas quatro registros. Em 2026, até o momento, não há casos confirmados.

Apesar do crescimento no número de notificações, o país mantém o status de livre do sarampo. Dos casos registrados em 2025, dez foram importados — quando a infecção ocorre fora do país —, 25 tiveram relação com casos importados e três apresentaram fonte de infecção desconhecida.

As ocorrências foram confirmadas no Distrito Federal (um), Maranhão (um), Mato Grosso (seis), Rio de Janeiro (dois), São Paulo (dois), Rio Grande do Sul (um) e Tocantins (25).

Vigilância reforçada

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, avalia que o avanço da doença em países da América do Norte representa risco constante para o Brasil, devido à intensa circulação de pessoas.

“Há voos diários do Canadá, México e Estados Unidos para o Brasil, o que torna inevitável a entrada de pessoas infectadas no território nacional”, afirma.

Segundo Kfouri, o principal desafio do país é manter a vigilância epidemiológica ativa e assegurar altas coberturas vacinais. “É fundamental reconhecer rapidamente os casos suspeitos e garantir que eles não se transformem em transmissão sustentada da doença”, destaca.

O Brasil recuperou em 2024 o certificado de país livre do sarampo, após perder o status em 2019, quando o vírus voltou a circular em meio à baixa cobertura vacinal e ao aumento do fluxo migratório.

Sobre a doença

O sarampo é uma enfermidade viral altamente contagiosa, capaz de causar complicações graves e levar à morte. Os principais sintomas incluem febre, tosse, coriza, perda de apetite, conjuntivite e manchas vermelhas na pele, que começam no rosto e se espalham pelo corpo.

Em casos mais graves, a doença pode provocar pneumonia, encefalite, cegueira e outras complicações severas.

Vacinação

A vacinação é a principal forma de prevenção contra o sarampo e está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O esquema vacinal prevê a aplicação da primeira dose da vacina tríplice viral aos 12 meses de idade e a segunda aos 15 meses.

Pessoas com até 59 anos que não tenham comprovante de vacinação ou não tenham completado o esquema vacinal devem atualizar a carteira. Campanhas de imunização são realizadas regularmente em todo o país.

Dados preliminares de 2025 indicam avanço significativo na cobertura vacinal. A aplicação da primeira dose da tríplice viral passou de 80,7% para 93,78%, enquanto a dose de reforço subiu de 57,6% para 78,9%. Segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações, a cobertura mínima necessária para evitar surtos é de 95%.

Recomendações e ações

Entre as recomendações da Opas estão o fortalecimento da vigilância epidemiológica, a ampliação da vacinação de rotina, a realização de buscas ativas para identificação precoce de casos e o desenvolvimento de estratégias para eliminar lacunas de imunidade.

O Ministério da Saúde informou que tem orientado estados e municípios a intensificar a vigilância, investigar rapidamente casos suspeitos e ampliar as coberturas vacinais. Em 2025, o Brasil reforçou a imunização em áreas de fronteira, especialmente com a Bolívia, e doou mais de 640 mil doses da vacina ao país vizinho.

Também foram intensificadas ações de vacinação em municípios de fronteira com Argentina e Uruguai, além de cidades turísticas e regiões com grande fluxo de pessoas.


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