- CUIABÁ
- SEXTA-FEIRA, 27 , FEVEREIRO 2026
Com alta de 1,14% entre a terceira e a quarta semana de janeiro, a cesta básica em Cuiabá aumentou R$ 9,16 e passou a custar R$ 814,14. O valor, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT), é o mais elevado desde julho do ano passado. No comparativo anual, o custo está 2,07% acima do registrado no mesmo período de 2025, quando a média era de R$ 797,63.
Apesar de uma redução pontual observada na semana anterior, o novo avanço indica retomada da pressão sobre o orçamento das famílias. Para o presidente da Fecomércio-MT, Wenceslau Júnior, o resultado chama atenção pelo fato de ocorrer mesmo com queda de preços na maioria dos itens.
“Embora mais da metade dos produtos da cesta básica tenha apresentado retração semanal, o custo médio permaneceu em alta. Isso demonstra que os aumentos concentrados em alguns itens foram suficientes para neutralizar as quedas e manter a pressão sobre o valor final dos alimentos”, avaliou.
O tomate foi o principal responsável pela elevação, com aumento de 18,03% na média semanal, alcançando R$ 8,40 o quilo. Após queda registrada na semana anterior, a alta pode estar relacionada ao início da safra, já que o excesso de calor aliado ao elevado volume de chuvas tem afetado a qualidade dos frutos, reduzindo a oferta no varejo. Em relação ao mesmo período de 2025, o produto acumula alta de 39,62%.
A batata também apresentou valorização, com custo médio de R$ 5,06 o quilo e variação positiva de 12,16% na semana. De acordo com o levantamento, a elevação está associada à menor oferta em algumas lavouras, impactadas por condições climáticas adversas, enquanto áreas com produção de melhor qualidade contribuíram para o aumento do preço. No comparativo anual, o valor está 13,39% mais elevado.
Na contramão, o óleo de soja manteve trajetória de queda e passou a custar, em média, R$ 8,39 a embalagem de 900 ml, com recuo semanal de 5,09%. A redução é atribuída à boa oferta de soja no mercado e à menor demanda, tanto interna quanto externa.
Para Wenceslau Júnior, o comportamento dos preços evidencia a influência direta de fatores climáticos e produtivos na composição da cesta básica. “A diferença significativa entre os produtos hortifrutigranjeiros e os industrializados mostra que as condições de produção seguem sendo determinantes centrais na formação dos preços dos alimentos”, concluiu.