- CUIABÁ
- SEGUNDA-FEIRA, 12 , JANEIRO 2026


O Conselho Federal de Medicina (CFM) determinou nesta quarta-feira (7) ao Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) a instauração de uma sindicância para apurar denúncias relacionadas à garantia de assistência médica adequada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo nota do órgão, “declarações públicas de relatos sobre intercorrências clínicas” envolvendo o ex-chefe do Executivo “causam extrema preocupação à sociedade brasileira”.
Na madrugada de terça-feira (6), Bolsonaro sofreu uma queda e bateu a cabeça em sua cela na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília, onde cumpre prisão após ser condenado a 27 anos e três meses de reclusão por participação em um plano de golpe de Estado.
Após autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Bolsonaro foi levado ao Hospital DF Star na manhã desta quarta para a realização de exames médicos.
O CFM destacou, ainda, os problemas de saúde enfrentados pelo ex-presidente, que se recupera de novas intervenções cirúrgicas decorrentes da facada sofrida durante a campanha presidencial de 2018. “O CFM reafirma que a autonomia do médico assistente deve ser soberana na determinação da conduta terapêutica, não podendo sofrer influências de qualquer natureza, por possuir presunção de verdade”, afirmou o Conselho.
O CFM é presidido desde 2022 pelo ginecologista e obstetra José Hiran da Silva Gallo, que já manifestou publicamente apoio a Bolsonaro.
Moraes nega transferência imediata de Bolsonaro
Na tarde de terça-feira, o ministro Alexandre de Moraes negou a transferência imediata do ex-presidente para hospital, entendendo não haver necessidade de remoção. A decisão determinou que a PF apresentasse ao STF o laudo médico elaborado pelos médicos da corporação.
O documento da PF indicou que Bolsonaro apresentava sinais de ter caído da cama durante a noite, com lesão superficial no rosto e presença de sangue. O ex-presidente também manifestou apatia e tontura, segundo avaliação do cardiologista Brasil Caiado, que acompanha o paciente.
“Fiz uma última avaliação no presidente: ele estava apático, com leve queda na pálpebra esquerda, pressão normalizada e sinal de tontura. Sem dor. Agora, aguardamos a liberação para a realização dos exames, e o hospital está de prontidão para recebê-lo”, relatou Caiado.
Nota do CFM
O CFM reforça que as denúncias recebidas expressam inquietação quanto à garantia de assistência médica adequada ao ex-presidente. “Relatos de crises agudas, episódio de trauma decorrente de queda, histórico clínico de alta complexidade, sucessivas intervenções cirúrgicas abdominais, soluços intratáveis e outras comorbidades em paciente idoso demandam protocolo de monitoramento contínuo e imediato, com assistência médica multiprofissional garantida pelo Estado, inclusive em situações de urgência e emergência”, diz o Conselho.
O CFM concluiu que a sindicância no CRM-DF será conduzida “em obediência à lei e ao Código de Processo Ético-Profissional, com o objetivo de apurar os fatos”.