- CUIABÁ
- QUARTA-FEIRA, 18 , MARÇO 2026
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), terá que decidir se irá sancionar a aplicação de um reajuste de 24,33% nas tarifas de água e esgoto do município, em meio ao agravamento da crise de abastecimento que atinge a população. A recomposição foi recomendada pela Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Estado de Mato Grosso durante a 4ª Sessão Regulatória realizada na última segunda-feira (16).
O índice considera a inflação acumulada desde a última base tarifária, definida em 2019, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O último reajuste aplicado em Várzea Grande ocorreu em junho de 2022.
O novo percentual também leva em conta um pedido feito pela própria Prefeitura de Várzea Grande, que solicitou a atualização dos cálculos com base em fevereiro de 2026, já que o reajuste anteriormente sugerido pela Ager, de 21,74%, não chegou a ser implementado em 2025. Ainda assim, a decisão da agência é apenas recomendatória, cabendo exclusivamente ao Executivo municipal autorizar ou não a aplicação das novas tarifas, o que coloca a definição diretamente sob responsabilidade da prefeita.
O aumento é defendido tecnicamente como necessário para recompor perdas inflacionárias e garantir o equilíbrio econômico-financeiro dos serviços prestados pelo Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande, assegurando continuidade, regularidade e eficiência no abastecimento de água e no esgotamento sanitário.
No entanto, o possível reajuste ocorre em um cenário de forte desgaste, já que o município enfrenta novas crises no fornecimento de água. Moradores relatam que a falta tem se intensificado em diversos bairros e, em alguns casos, até regiões que antes contavam com abastecimento, mesmo que de forma precária, passaram a não receber mais nem esse mínimo, ampliando a insatisfação popular.
A discussão ganha ainda mais relevância diante do convênio de cooperação técnica firmado em julho de 2025 entre a Ager e o município, que delegou à agência estadual a regulação e fiscalização dos serviços de água e esgoto pelos próximos 10 anos. Com isso, a Ager passou a acompanhar desde a definição tarifária até a modelagem de uma futura concessão do sistema.
Além da recomposição tarifária, a agência também reforçou a necessidade de implantação da tarifa social, conforme a Lei Federal nº 14.898/2024, que prevê descontos de até 50% para famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico.
Mesmo com os argumentos técnicos, a decisão final caberá à prefeita Flávia Moretti, que terá de ponderar entre a necessidade de reequilíbrio financeiro do sistema e o impacto direto no bolso da população em meio à crise de abastecimento que se intensifica em Várzea Grande.