- CUIABÁ
- QUINTA-FEIRA, 5 , MARÇO 2026
O acirramento dos conflitos no Oriente Médio projeta efeitos mistos para a balança comercial brasileira. De acordo com o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Herlon Brandão, o Brasil — como exportador líquido de petróleo — tende a se beneficiar da valorização da commodity no mercado internacional.
“Na medida em que o preço do petróleo sobe, o saldo do comércio de combustíveis brasileiro tende a aumentar”, explicou Brandão durante entrevista nesta quinta-feira (5). Por outro lado, o diretor alertou para um possível impacto negativo, ainda que temporário, nas exportações de alimentos. A região é um destino estratégico para produtos brasileiros: o Oriente Médio absorve 32% do milho, 30% da carne de aves, 17% do açúcar e 7% da carne bovina exportados pelo país.
Cenário Global: Estados Unidos e China
Os dados de fevereiro revelam dinâmicas distintas com os principais parceiros comerciais:
Estados Unidos: As exportações para o mercado estadunidense recuaram 20,3% (US$ 2,523 bilhões), acumulando a sétima queda consecutiva. O desempenho reflete a sobretaxa de 50% imposta pelo governo Donald Trump em 2025. Embora a Suprema Corte dos EUA tenha derrubado a tarifa no fim de fevereiro, a recuperação nos números é esperada apenas para os próximos meses. O saldo com os EUA fechou negativo em US$ 265 milhões.
China: Em sentido oposto, as vendas para a China saltaram 38,7%, somando US$ 7,220 bilhões. Com a queda de 31,3% nas importações vindas do gigante asiático, o Brasil registrou um superávit de US$ 1,73 bilhão na relação bilateral.
União Europeia e Argentina
O comércio com o bloco europeu apresentou forte expansão, com as exportações crescendo 34,7% (US$ 4,232 bilhões), resultando em um superávit de US$ 931 milhões.
Já com a Argentina, o cenário foi de retração mútua: as vendas brasileiras caíram 26,5% e as compras recuaram 19,2%. Apesar do menor volume de trocas, o Brasil manteve saldo positivo de US$ 207 milhões com o vizinho sul-americano.
Resumo da Balança por Parceiro (Fevereiro/2026)
| Parceiro Comercial | Exportações (Variação) | Saldo Comercial |
| China | + 38,7% | US$ 1,73 bi (Superávit) |
| União Europeia | + 34,7% | US$ 931 mi (Superávit) |
| Argentina | – 26,5% | US$ 207 mi (Superávit) |
| Estados Unidos | – 20,3% | US$ 265 mi (Déficit) |