- CUIABÁ
- TERÇA-FEIRA, 17 , MARÇO 2026
A deputada federal Coronel Fernanda afirmou que a oposição chegou a se articular para tentar impedir a posse da deputada Erika Hilton na presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Segundo ela, o grupo conseguiu barrar a eleição em uma primeira votação, mas não evitou a confirmação da parlamentar do PSOL no comando do colegiado.
A declaração foi feita nessa segunda-feira (16), durante reunião na Fecomércio-MT, em Cuiabá. Na ocasião, Coronel Fernanda voltou a criticar a escolha e defendeu que a comissão seja presidida por uma mulher “biológica”.
De acordo com a parlamentar, a oposição iniciou a mobilização ainda na semana anterior à eleição, sob o argumento de que a comissão deve tratar de pautas específicas das mulheres. “Nos organizamos para que ela não assumisse. Na primeira votação, conseguimos barrar. Depois, acabou sendo eleita”, declarou.
Fernanda afirmou que sua posição não se refere à vida pessoal da deputada, mas ao que considera ser o papel da comissão. Para ela, o colegiado deve ser conduzido por mulheres cisgênero. “Estamos falando de mulher biológica. O sentimento de uma mulher, para tratar dessas pautas, só outra mulher”, disse.
A deputada também explicou que a presidência da comissão foi destinada ao PSOL dentro da divisão proporcional de espaços entre os partidos, definida pela Mesa Diretora da Câmara. Segundo ela, outras parlamentares da sigla poderiam assumir o posto, mas questões internas acabaram levando à indicação de Erika Hilton.
Durante a fala, Coronel Fernanda ainda criticou situações semelhantes em outros parlamentos, como na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, onde a comissão voltada às mulheres é presidida por um homem. Para ela, esse tipo de cenário reforça a necessidade de ampliar a participação feminina na política.
Apesar da resistência inicial, Erika Hilton foi eleita na última semana com 11 votos, contra 10 em branco, e assumiu a presidência do colegiado, sucedendo a deputada Célia Xakriabá. A eleição gerou reações de parlamentares da oposição, que também levantaram críticas sobre uma suposta “ideologização” da comissão.