- CUIABÁ
- DOMINGO, 5 , ABRIL 2026
Um mês após o início da guerra no Irã, a escassez de petróleo bruto ameaça se transformar em uma crise generalizada de insumos industriais. O conflito no Oriente Médio afetou o fluxo de petróleo e gás natural pelo Estreito de Ormuz, reduzindo a oferta global em cerca de 20%, elevando preços de combustíveis e comprometendo a produção de produtos petroquímicos essenciais, como plásticos, borracha e poliéster.
O impacto é mais evidente na Ásia, responsável por mais da metade da produção industrial mundial. Na Coreia do Sul, houve compra emergencial de sacos de lixo; em Taiwan, fabricantes enfrentam falta de plástico; no Japão, hospitais temem falta de tubos plásticos para hemodiálise. Fabricantes de luvas da Malásia alertam sobre risco ao abastecimento global de equipamentos médicos.
Especialistas destacam que a alta dos preços de derivados do petróleo já reflete em alimentos, cosméticos, embalagens, móveis, lubrificantes e eletrônicos. Segundo Dan Martin, da Dezan Shira & Associates, “todos os setores estão sentindo os efeitos rapidamente, sem alternativas imediatas além de reduzir produção ou consumo de energia”.
Apesar de países liberarem reservas de petróleo para conter a crise, a escassez de nafta — subproduto essencial para plásticos e produtos sintéticos — mantém o mercado sob pressão. Algumas empresas declararam força maior, e países como Coreia do Sul restringem exportações para proteger estoques internos.
O aumento de preços atinge plásticos, embalagens, fertilizantes e produtos químicos, pressionando a inflação global e o crescimento econômico. Na Ásia, os preços das resinas plásticas subiram até 59% desde fevereiro. Na Índia e na Indonésia, empresas adotam medidas de contenção, como reduzir espessura de embalagens e buscar materiais alternativos, embora com custos elevados e desafios logísticos.
Analistas alertam que, mesmo com o fim do conflito, a normalização do abastecimento levará meses, especialmente para o setor de plásticos e produtos derivados de petróleo. A turbulência evidencia a vulnerabilidade das cadeias globais a choques no Oriente Médio, principal fornecedor de matérias-primas estratégicas.