- CUIABÁ
- TERÇA-FEIRA, 10 , MARÇO 2026
O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) instaurou uma sindicância para apurar as circunstâncias da morte de Jéssica Santiago Souza, de 33 anos, ocorrida durante a realização de uma cirurgia estética em Tangará da Serra (242 km de Cuiabá). Dois médicos já foram indiciados pela Polícia Civil após as investigações.
Em nota divulgada nesta terça-feira (10), o Conselho informou que tomou conhecimento do caso e iniciou o procedimento preliminar para verificar se houve possível infração ao Código de Ética Médica por parte dos profissionais envolvidos.
“Em cumprimento às suas atribuições legais de fiscalização do exercício profissional, o Conselho instaurou sindicância para apurar as circunstâncias da morte, com o objetivo de verificar se houve eventual infração ao Código de Ética Médica”, informou o CRM-MT.
O órgão explicou que a sindicância é o primeiro passo adotado pelos Conselhos de Medicina para investigar possíveis irregularidades no exercício da profissão.
“O CRM-MT esclarece que a sindicância é o procedimento preliminar utilizado pelos Conselhos de Medicina para investigar possíveis irregularidades no exercício da profissão”, acrescentou.
O Conselho também ressaltou que os procedimentos tramitam em sigilo, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional dos Conselhos de Medicina.
“O Conselho ressalta ainda que todas as sindicâncias e processos ético-profissionais tramitam sob sigilo, a fim de garantir a adequada apuração dos fatos e preservar as partes envolvidas”, diz outro trecho da nota.
Investigação da Polícia Civil
Paralelamente, a Polícia Civil de Mato Grosso concluiu o inquérito sobre o caso e indiciou dois médicos por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A investigação aponta que Jéssica morreu em 17 de fevereiro de 2026, durante um procedimento estético realizado em uma unidade hospitalar de Tangará da Serra.
Segundo o delegado responsável pelo caso, Gustavo Espíndula, o exame necroscópico apontou lesões graves provocadas durante a cirurgia.
“O laudo de necrópsia apontou duas perfurações no pulmão causadas por instrumento contundente, que seria a cânula que faz a sucção de gordura”, afirmou o delegado.
Os laudos da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) indicaram que a causa da morte foi pneumotórax bilateral decorrente de perfuração da parede torácica posterior, lesão compatível com o instrumento utilizado no procedimento estético.
De acordo com a Polícia Civil, as evidências reunidas apontam para falta de conhecimento técnico na execução da cirurgia, o que motivou o indiciamento dos dois médicos.
O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público de Mato Grosso, que irá analisar as provas e decidir se apresenta denúncia à Justiça.