- CUIABÁ
- QUARTA-FEIRA, 14 , JANEIRO 2026


A secretária de Ordem Pública de Cuiabá, delegada Juliana Palhares, se exaltou durante uma fiscalização realizada na última terça-feira (16) em um canil clandestino localizado no Bairro Centro Sul, na capital mato-grossense. No local, foram encontrados mais de 70 cães de raça, além de um criadouro irregular de hamsters, todos em condições degradantes e de maus-tratos.
Durante a vistoria, a delegada compartilhou um vídeo nas redes sociais, denunciando a situação enfrentada pelos animais. “Olha o sofrimento desses cachorros cruzando. Um comércio de vidas. Isso é absurdo. Olha isso aqui, olha isso aqui”, declarou, visivelmente indignada com as condições do local.
Segundo Juliana Palhares, a equipe enfrentou resistência por parte do proprietário do canil, sendo necessário o uso do poder de polícia para garantir o acesso. “Recebemos uma denúncia gravíssima sobre um canil clandestino onde animais eram comercializados sem o manejo adequado. Tentamos entrar de forma espontânea, mas houve extrema dificuldade. Só conseguimos com o apoio da Polícia Civil. O que encontramos foi uma situação absurda”, relatou.
A ação contou com a presença da médica veterinária da Diretoria de Bem-Estar Animal de Cuiabá, Morgana Thereza Ens, que classificou a cena como “uma das piores coisas que vi na minha vida inteira”.
Entre os animais resgatados estavam cães das raças Shih Tzu, Spitz Alemão e Pinscher, mantidos em espaços pequenos, sem ventilação adequada e sem nenhum controle sanitário. Muitos apresentavam sinais evidentes de doenças e debilidade física. Também foram encontrados hamsters criados em um viveiro sem qualquer regularização.
A delegada afirmou que o Município irá responsabilizar os envolvidos. “Estamos apurando as denúncias e vamos punir quem lucra com o sofrimento de animais. Nenhum ser vivo merece passar por esse tormento”, reforçou.
A Diretoria de Bem-Estar Animal iniciou imediatamente a triagem dos animais, com atendimentos emergenciais em clínicas conveniadas. Parte dos cães será encaminhada ao canil municipal até que estejam aptos à adoção responsável.
Irregularidades
Ainda de acordo com Juliana Palhares, o local não possuía alvará sanitário, não tinha registro no Conselho Regional de Medicina Veterinária e funcionava em desacordo com as normas de saúde e bem-estar animal.
A descrição da atividade no alvará também não condizia com a realidade, estando registrada como “Comércio Varejista Hortifrutigranjeiro”, enquanto se tratava de um canil clandestino.
O endereço informado no documento também era diferente, constando como Avenida 15 de Novembro.
A Vigilância Sanitária – que também atuou na ação – apreendeu medicamentos e vacinas vencidas, além de produtos sem nota fiscal. Também foram apontadas irregularidades no âmbito sanitário, acúmulo de lixo (com risco de leishmaniose) e possível reservatório de vetores (como leptospirose).
O canil clandestino permanecerá interditado. Os responsáveis foram multados e conduzidos à Delegacia de Meio Ambiente. Eles poderão responder criminalmente por maus-tratos e comercialização irregular. Quatro pessoas estavam no local, todas maiores de idade.