- CUIABÁ
- SEXTA-FEIRA, 27 , FEVEREIRO 2026
Allan Mesquita
Reportagem / Nova Mutum – MT
O delegado responsável pela investigação da morte de Raquel Cattani, filha do deputado Gilbeto Cattani (PL) afirmou nesta quinta-feira (22), durante o Tribunal do Júri em Nova Mutum (219 km de Cuiabá), que o ex-marido da vítima, Romero Xavier Mengarde teria construído cuidadosamente um álibi para não estar na residência da vítima no momento da execução do crime. Segundo a autoridade policial, a estratégia reforça a tese de homicídio premeditado, planejado pelo ex-marido da produtora rural.
O crime, ocorrido em 18 de julho de 2024, chocou Mato Grosso pela brutalidade: Raquel, de 26 anos, foi assassinada a facadas dentro de casa, no assentamento Pontal do Marape, em Nova Mutum. Rodrigo Xavier Mengarde, ex-cunhado da vítima, é apontado como executor, enquanto Romero responde como autor intelectual.
O delegado Guilherme Pompeo Pimenta Negri, responsável pelo caso, relatou que, assim que a Polícia Civil tomou conhecimento do feminicídio, equipes foram mobilizadas simultaneamente para o local do crime e para a cidade de Tapurah, onde Romero residia na época. Segundo o depoimento, Romero se apresentou espontaneamente às autoridades e apresentou um álibi detalhado, que indicou que ele não estaria na cena do crime no momento da execução.
O delegado destacou que, inicialmente, a cena indicava possível invasão: uma janela nos fundos estava amassada, uma televisão fora de lugar com marcas de bota e apenas o quarto da vítima revirado, enquanto outros cômodos permaneciam intactos. Segundo a perícia, esses sinais levantaram suspeitas de tentativa de forjar um roubo. Além disso, marcas de sangue mostraram que o autor circulou descalço dentro da residência.
Para esclarecer os fatos, a Polícia Civil entrevistou 155 pessoas, incluindo trabalhadores e moradores da região, e analisou provas técnicas e digitais, como vestígios na casa, imagens de câmeras, acessos a redes wi-fi e outros indícios periciais. Segundo o delegado, a combinação dessas evidências reforça que o crime foi planejado e executado por terceiros, com álibi construído previamente pelo ex-marido.
Início do julgamento e rito
O julgamento teve início às 8h no plenário do Fórum da Comarca de Nova Mutum, presidido pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski, titular da 3ª Vara. O rito segue o Código de Processo Penal, com atuação do Ministério Público, da Defensoria Pública e a oitiva de testemunhas. O Conselho de Sentença é formado por sete jurados, sendo dois homens e cinco mulheres.
Durante as instruções iniciais, a magistrada orientou os jurados sobre a incomunicabilidade, destacando que eles não podem conversar entre si ou com pessoas externas ao plenário e devem preservar o sigilo da votação, que é individual e secreta. A juíza reforçou ainda que se trata de um julgamento sensível, envolvendo vida e liberdade, e pediu serenidade e imparcialidade.