segunda-feira, 29 - setembro 2025 - 15:44

Polícia suspeita que pais de PM participaram da morte de personal


O delegado Caio Albuquerque, titular da DHPP, durante coletiva de imprensa
O delegado Caio Albuquerque, titular da DHPP, durante coletiva de imprensa

O delegado Caio Albuquerque, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), afirmou que os pais do policial militar Raylton Duarte Mourão — preso pelo assassinato da personal trainer Rozeli da Costa Souza Nunes — podem ter colaborado na ação criminosa. A declaração foi feita após os dois prestarem depoimento nesta segunda-feira (29), durante a segunda fase da Operação Moeda de Sangue.

“Há fortes indicativos de que eles tenham tido colaboração nessa empreitada criminosa. Em depoimento, constatamos vários apontamentos falsos declarados por eles, o que nos leva a crer que participaram, de certa forma, da ação realizada pelo filho”, afirmou o delegado.

Os nomes dos pais não foram divulgados pela Polícia. Segundo Albuquerque, há indícios concretos de envolvimento, o que motivou o encaminhamento do caso para aprofundamento das investigações.

Mandados e apreensões

Durante a segunda fase da operação, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em Rosário Oeste — em uma oficina mecânica, uma residência e uma propriedade rural — todos com ligação a um amigo do policial militar. Foram apreendidos uma picape Montana, uma moto Tornado e aparelhos celulares.

Embora não seja a motocicleta usada no dia do crime, a Tornado teria sido utilizada dias antes para monitorar os passos da vítima. O homem que teria conduzido os veículos chegou a dispensar o celular momentos antes da chegada dos policiais e ainda será ouvido pela DHPP.

Confissão e motivação

Raylton Duarte Mourão foi preso na noite de 22 de setembro, após se entregar em um batalhão da Polícia Militar em Cuiabá. No dia seguinte, ele confessou o crime durante oitiva na DHPP.

A motivação, segundo a investigação, está ligada a uma ação judicial movida por Rozeli contra a empresa Reizinha Água Potável, de propriedade de Raylton e sua esposa, a farmacêutica Aline Valandro Kounz. A vítima solicitava R$ 24,6 mil por danos morais e materiais, após um caminhão-pipa da empresa ter danificado seu carro em um acidente de trânsito ocorrido em março.

Rozeli tentou resolver o caso extrajudicialmente, mas não obteve retorno. A ação judicial foi protocolada, mas antes de ser analisada, ela foi assassinada.

Execução registrada por câmeras

Rozeli, de 33 anos, foi morta na manhã de 11 de setembro, dentro de seu carro, um Renault Sandero, na rua de sua residência no bairro Cohab Canelas, em Várzea Grande. Câmeras de segurança registraram o momento em que Raylton e um comparsa — ainda não identificado — se aproximaram em uma motocicleta preta e efetuaram quatro disparos contra a vítima, que seguia para a academia onde trabalhava.

Após o crime, os autores fugiram. A Polícia segue investigando a identidade do segundo envolvido e o possível papel dos pais do policial na execução.

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