segunda-feira, 9 - fevereiro 2026 - 22:55



CASO EPSTEIN

Deputados afirmam censura em arquivos Epstein protege suspeitos


Epstein
Epstein

Deputados dos Estados Unidos afirmaram, nesta segunda-feira (9), que homens poderosos estariam sendo protegidos por censuras indevidas nos arquivos relacionados ao financista Jeffrey Epstein, após terem acesso aos documentos em sua íntegra.

Os parlamentares Thomas Massie, republicano do Kentucky, e Ro Khanna, democrata da Califórnia, relataram que identificaram nomes de ao menos seis homens que permaneceram ocultos nos arquivos, apesar de, segundo eles, haver indícios de possível envolvimento nos fatos investigados.

“O que mais me incomodou foi ver nomes de pelo menos seis homens censurados que provavelmente estão implicados pela simples inclusão nesses arquivos. Foi preciso cavar bastante para encontrá-los”, afirmou Massie.

Os deputados não revelaram os nomes dos indivíduos, informando apenas que o grupo inclui pelo menos um cidadão norte-americano, um estrangeiro e outros “três ou quatro” cuja nacionalidade não foi imediatamente identificada. Massie afirmou que um dos citados ocupa posição relevante em um governo estrangeiro, enquanto Khanna descreveu outro como “uma pessoa bastante proeminente”.

Diante disso, os parlamentares pressionam o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) a divulgar os nomes dos envolvidos, embora não descartem a possibilidade de fazê-lo por meio de uma audiência em comitê ou no plenário da Câmara.

“Gostaria de dar ao Departamento de Justiça a oportunidade de reconhecer que houve um erro e que as censuras foram excessivas, permitindo a divulgação desses nomes. Essa seria, provavelmente, a melhor forma de resolver a questão”, disse Massie.

O deputado também afirmou que, durante sua análise inicial dos arquivos, não buscou especificamente menções ao ex-presidente Donald Trump e declarou não ter visto o nome dele listado como possível co-conspirador. A segunda-feira marcou o primeiro dia em que parlamentares tiveram acesso aos arquivos não censurados liberados até o momento pelo DOJ. Ainda assim, Massie e Khanna relataram que encontraram documentos com trechos ocultos mesmo nesse ambiente de consulta.

Em vez de responsabilizar diretamente o Departamento de Justiça, os dois levantaram a possibilidade de que os arquivos já tenham sido recebidos com censuras aplicadas anteriormente pelo FBI ou por um grande júri. Eles afirmaram esperar que a situação possa ser corrigida.

O acesso aos documentos ocorre sob regras rígidas: os parlamentares não podem levar celulares nem assessores, e apenas quatro computadores estão disponíveis para consulta. O deputado democrata Jamie Raskin estimou que seriam necessários cerca de sete anos e meio para revisar todo o material, caso os quatro terminais fossem utilizados continuamente durante o período de acesso permitido.

Massie disse estar particularmente desapontado por não ter encontrado versões não censuradas dos chamados formulários 302, utilizados por agentes do FBI para registrar entrevistas com testemunhas, vítimas ou suspeitos durante investigações.

Raskin, que também participou da visualização dos arquivos, afirmou ter observado “muitos exemplos” de censuras excessivas. “Não queríamos que houvesse um encobrimento e, ainda assim, vi vários casos em que nomes foram ocultados sem que se tratasse de vítimas”, declarou.

Segundo os parlamentares, as censuras identificadas não estão de acordo com a lei aprovada pelo Congresso — da qual Massie e Khanna foram coautores — que determina que apenas informações pessoais de vítimas ou dados que possam comprometer investigações criminais em andamento sejam protegidos. Além disso, o Congresso ainda não recebeu do DOJ o relatório detalhando os motivos das censuras, documento que deveria ter sido entregue até 15 dias após a liberação dos arquivos, ocorrida em 30 de janeiro.

Raskin afirmou ainda que o nome de Donald Trump foi censurado em diversos trechos nos quais, segundo ele, não haveria justificativa legal. Um dos casos envolveria uma troca de e-mails de 2009 entre advogados de Epstein e advogados de Trump, tratando de visitas do financista ao clube Mar-a-Lago.

Parafraseando o conteúdo, Raskin disse que os advogados de Epstein relataram que Trump afirmava que Epstein não era membro do clube, mas um convidado ocasional, e que nunca havia sido convidado a se retirar do local. “Por alguma razão indeterminada e incompreensível, isso foi censurado”, afirmou.

Trump sempre negou qualquer envolvimento criminoso com Epstein e já declarou que rompeu relações com ele após o financista recrutar jovens mulheres que trabalhavam no spa do Mar-a-Lago. A Casa Branca afirmou, em julho, que Epstein foi proibido de frequentar o clube por comportamento inadequado. Trump não foi acusado de qualquer crime relacionado ao caso.

Outro parlamentar que analisou os documentos, o democrata Jared Moskowitz, declarou que os arquivos indicam a existência de “muitos co-conspiradores”.

“É repugnante. Há muitos nomes e muitas pessoas envolvidas no tráfico de meninas ao redor do mundo”, disse.

Khanna destacou que outros países têm enfrentado o tema de forma mais direta. “No Reino Unido, até a monarquia foi chamada a responder perguntas. Aqui, ainda não houve essa cobrança. Pessoas em posições de poder — no governo, nas finanças ou na tecnologia — devem ser responsabilizadas se estiverem implicadas de maneira moralmente chocante, independentemente do partido político”, concluiu.


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