quarta-feira, 4 - fevereiro 2026 - 08:30



CHOCANTE

Em depoimento, detenta afirma que investigador ejaculou em seu corpo e ameaçou matar sua filha


Da Redação / FatoAgora
Manoel Batista da Silva
Manoel Batista da Silva

A detenta que denunciou ter sido estuprada pelo investigador da Polícia Civil de Mato Grosso Manoel Batista da Silva, de 52 anos, relatou que o policial ejaculou em seu corpo e a ameaçou de matar sua filha caso denunciasse o crime, durante uma série de estupros dentro da Delegacia de Sorriso (420 km de Cuiabá). Detalhes do depoimento foram divulgadas na coluna da jornalista Marielle Pinheiro, do portal Metrópoles.

Segundo o depoimento da mulher, ao qual a reportagem teve acesso, os abusos teriam ocorrido em quatro ocasiões diferentes, em um intervalo inferior a 24 horas, logo após ela ter sido presa, no dia 8 de dezembro de 2025, por força de um mandado de prisão temporária.

Conforme o relato, após passar por audiência de custódia, no dia seguinte à prisão, a vítima teria sido retirada da cela pelo investigador e levada a uma sala vazia da delegacia, onde ocorreu o primeiro estupro, sob grave ameaça. Horas depois, ela afirma que o policial voltou a buscá-la e repetiu o abuso, utilizando o mesmo método, com intimidação e violência.

O terceiro episódio, de acordo com a vítima, aconteceu durante a madrugada do dia 10 de dezembro. Novamente levada à mesma sala, ela contou que foi violentada e que, dessa vez, o investigador ejaculou em seu corpo. Ainda segundo o depoimento, ele afirmou que mataria sua filha caso ela gritasse, reagisse ou denunciasse os fatos, o que a teria feito permanecer em silêncio por medo.

O último estupro, ainda conforme a versão apresentada, ocorreu já no início da manhã do mesmo dia, em condições semelhantes às anteriores, também em um local isolado dentro da unidade policial.

A mulher relatou que, no dia 10 de dezembro, foi transferida para um presídio feminino e, dois dias depois, teve a prisão temporária revogada, sendo colocada em liberdade na noite do dia 12. Ao sair do presídio, ela procurou o advogado e, pela primeira vez, contou por telefone que havia sido vítima de estupros dentro da delegacia.

Orientada a não realizar higiene corporal para preservar possíveis vestígios, a vítima compareceu ao Ministério Público no dia seguinte, onde formalizou a denúncia. Em seguida, foi encaminhada à Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) para exames complementares. Segundo ela, um médico perito informou que ainda havia vestígios compatíveis com material espermático.

No depoimento, a mulher explicou que demorou a denunciar por medo das ameaças, pelo abuso de autoridade e pela situação de extrema vulnerabilidade em que se encontrava enquanto estava presa.

Diante da gravidade das acusações, a Polícia Civil instaurou inquérito, que passou a ser conduzido pelo Núcleo de Atendimento à Mulher, Adolescente e Criança (Namac). A vítima foi ouvida novamente e teve material genético coletado, que foi comparado com o DNA de todos os policiais que estavam de plantão nos dias dos crimes.

De acordo com a delegada Laísa Crisóstomo de Paula Leal, responsável pela investigação, o laudo pericial foi conclusivo ao apontar compatibilidade genética entre o material coletado da vítima e o de um dos servidores da delegacia. “Fizemos o confronto do material genético encontrado com o de todos os policiais que estavam de plantão naquele dia e, infelizmente, um deles testou positivo”, afirmou.

Com a conclusão do laudo, a Polícia Civil solicitou a prisão preventiva do investigado e o cumprimento de mandado de busca e apreensão. A Justiça acatou os pedidos, e equipes da própria corporação prenderam o investigador em sua residência, no bairro Jardim Aurora, onde também foram apreendidos arma de fogo, munições e algemas.

O policial foi encaminhado à unidade policial e permanece à disposição da Justiça, devendo passar por audiência de custódia. A Corregedoria-Geral da Polícia Civil acompanha o caso e aguarda o envio dos autos para adoção de medidas administrativas. Em nota, a instituição afirmou que não tolera desvios de conduta e que crimes cometidos por servidores serão apurados com rigor.


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