- CUIABÁ
- QUARTA-FEIRA, 25 , FEVEREIRO 2026
O deputado estadual Diego Guimarães (Republicanos) reagiu com críticas duras às declarações do presidente do PL em Mato Grosso, Ananias Filho, e acusou o dirigente de tentar concentrar para si a representação da direita no estado. Em tom irônico, o parlamentar passou a chamá-lo de “Ananico”, alegando que o liberal teria uma postura “pequena” ao tratar o campo conservador como propriedade exclusiva de seu partido.
“Eu vou mudar o nome do presidente do PL no estado de Mato Grosso. A partir de agora vai ser Ananico. Ananico, pequeno. Ele pensa pequeno e age pequeno. Essa que é a verdade, Ananico. Agora o nome dele é Ananico, porque ele tenta fazer da direita um curral dele, no partido dele. E a direita do Mato Grosso é muito maior do que o Ananico”, disse.
A troca de farpas começou após Ananias afirmar que o PL seria a “casa da direita” em Mato Grosso e que siglas como Republicanos, União Brasil e MDB teriam dificuldade em se apresentar como legítimas representantes do eleitorado conservador por ocuparem espaços no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Diego rebateu dizendo que a direita mato-grossense é mais ampla do que qualquer legenda isolada e estimou que o campo conservador representa cerca de 70% do eleitorado estadual. Segundo ele, a construção de um projeto nacional para 2026 exige diálogo e formação de alianças.
Ao defender uma frente ampla para a sucessão presidencial, o deputado citou o senador Flávio Bolsonaro como possível nome competitivo, mas ressaltou que nenhuma candidatura se viabiliza sem coalizão. Também mencionou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o vice-governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, como peças importantes na articulação nacional da direita.
“Não é só o PL que vai eleger ninguém. É preciso união para mudar o Brasil a partir de 2027”, afirmou, defendendo que divergências internas fragilizam o grupo político.
O parlamentar também criticou o que classificou como ataques recorrentes do dirigente liberal ao Republicanos e relembrou que integrantes do PL já apoiaram gestões petistas no passado. Ele citou o senador Wellington Fagundes, que coordenou a campanha de Dilma Rousseff em Mato Grosso, ao afirmar que não costuma cobrar explicações públicas sobre posicionamentos anteriores.
Por fim, Diego respondeu com ironia à declaração de Ananias de que haveria “surfistas” tentando se apropriar da imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro. Sem mencionar diretamente o ex-chefe do Executivo, o deputado afirmou que nunca “apertou 13 na urna” e comparou o adversário ao surfista Gabriel Medina, em referência à metáfora usada pelo dirigente do PL.
O embate evidencia o racha no campo conservador mato-grossense e antecipa o clima de disputa interna que deve marcar as articulações rumo às eleições de 2026.