- CUIABÁ
- DOMINGO, 22 , FEVEREIRO 2026
Relatórios de inteligência dos Estados Unidos indicam que a China está avançando no desenvolvimento de uma nova linhagem de armamentos nucleares. Segundo fontes familiarizadas com as avaliações de segurança, Pequim teria realizado ao menos um teste explosivo secreto nos últimos anos, como parte de uma estratégia ambiciosa para modernizar seu arsenal e consolidar-se como a potência tecnológica líder no setor.
A avaliação central gira em torno de um evento ocorrido em junho de 2020 nas instalações de Lop Nur, no noroeste da China. Dados sísmicos e análises subsequentes levaram autoridades americanas a concluir que o país realizou um teste nuclear explosivo, apesar da moratória autoimposta vigente desde 1996.
Especialistas apontam que a magnitude do evento (2,75) é inconsistente com atividades de mineração ou fenômenos naturais. “Há pouquíssima possibilidade de que seja algo além de uma explosão singular”, afirmou Christopher Yeaw, ex-oficial de defesa e especialista em engenharia nuclear. A suspeita é que Pequim busque dados técnicos que não possui em seus bancos de dados históricos, limitados a apenas 45 testes anteriores.
A modernização chinesa não se resume ao aumento do número de ogivas, mas à sofisticação dos sistemas de entrega:
MIRVs (Veículos de Reentrada Múltipla): Desenvolvimento de mísseis capazes de transportar e lançar múltiplas ogivas contra alvos distintos.
Armas Táticas de Baixo Rendimento: Pequim estaria produzindo, pela primeira vez, armas nucleares menores para uso em cenários regionais, como uma eventual resposta a uma intervenção externa em Taiwan.
Sobrevivência e Manobra: Investimentos pesados em tecnologias que garantam que o arsenal chinês resista a um ataque preventivo e consiga atingir alvos com precisão.
O avanço gera um debate sobre uma possível alteração na histórica postura de “não ao primeiro uso” da China. Embora o país oficialmente negue mudanças, analistas notam que documentos recentes sobre governança global omitem esse compromisso. O Pentágono alerta que essa expansão oferece à Pequim novas opções de coerção militar durante crises regionais.
Em resposta, a Embaixada da China em Washington classificou as alegações como “infundadas” e fruto de “manipulação política”. Segundo o porta-voz Liu Pengyu, os EUA buscam pretextos para atingir a hegemonia nuclear e se esquivar de suas próprias responsabilidades de desarmamento.
A divulgação desses dados de inteligência pelo governo americano ocorre em um momento estratégico: a tentativa de Washington de forçar a China a integrar novos tratados de controle de armas, substituindo modelos obsoletos que consideram apenas as capacidades americanas e russas.