sábado, 31 - janeiro 2026 - 06:08



Segurança Pública

Facção criminosa recebe 237 anos por homicídios e sequestros


Reprodução
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O Tribunal do Júri de Rondonópolis, a 220 km de Cuiabá, condenou nesta quinta-feira (30) Marcelo Lourenço da Silva e Wesley Musquim de Sousa a 118 anos e 6 meses de prisão cada, totalizando 237 anos de reclusão, pelos crimes de três homicídios triplamente qualificados, tortura, sequestro e cárcere privado qualificado contra 14 vítimas, além de integração a organização criminosa armada.

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) foi representado pelos promotores Fabison Miranda Cardoso e Eduardo Antônio Ferreira Zaque, do Grupo de Atuação Especial no Tribunal do Júri (GAEJúri).

Segundo a sentença, Marcelo e Wesley participaram diretamente de uma série de crimes que incluiu o sequestro de 14 pessoas, submetidas a intenso sofrimento físico e psicológico, com o objetivo de obter informações.

De acordo com a investigação apresentada durante o julgamento, os crimes ocorreram nos dias 30 e 31 de maio de 2024. As vítimas eram trabalhadores nordestinos que haviam se mudado para Rondonópolis para atuar em uma fábrica de pré-moldados. Eles estavam alojados em uma residência no bairro Paiaguás quando foram surpreendidos pelo grupo.

A ação foi motivada por uma suspeita sem comprovação de que os homens fariam parte de uma facção rival, interessada em disputar o controle da região.

“Os réus integravam uma estrutura criminosa organizada e armada, responsável por capturar, torturar e executar pessoas como forma de controle territorial e intimidação. Esse tipo de atuação afeta diretamente a segurança da comunidade e afronta o Estado Democrático de Direito, exigindo atuação rigorosa do Ministério Público e das instituições de justiça”, destacou o promotor Fabison Miranda Cardoso.

Três vítimas — Antônio José dos Santos Filho, Rennan do Nascimento Barreto e Talison Ferreira da Silva — foram brutalmente assassinadas. O Conselho de Sentença reconheceu, em todos os casos, as qualificadoras de motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa das vítimas.

Para cada um dos três homicídios, os réus receberam 30 anos de prisão. Também foram condenados a 10 anos e 6 meses por integrar organização criminosa armada, além de outras penas em concurso formal: 10 anos e 6 meses por sequestro e cárcere privado qualificado e 7 anos e 6 meses por tortura, referentes às 14 vítimas. A soma das penas, em concurso material, resultou nos 118 anos e 6 meses aplicados a cada um.

“A pena aplicada é essencial para garantir que autores de crimes tão graves não voltem a colocar a sociedade em risco. As vítimas foram privadas de qualquer chance de defesa e submetidas a torturas brutais. O Estado não pode tolerar esse tipo de conduta, e o resultado do julgamento reafirma o compromisso com a proteção da vida e da ordem pública”, afirmou o promotor Eduardo Antônio Ferreira Zaque.

As investigações indicam que Marcelo e Wesley integravam a estrutura da facção e participaram do planejamento e execução das ações criminosas. A denúncia inicial abrange sete investigados, sendo que os demais acusados respondem em processos separados, decorrentes do desmembramento do caso.


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