- CUIABÁ
- QUINTA-FEIRA, 5 , MARÇO 2026
A Polícia Civil fechou três empresas ligadas à família investigada por envolvimento com o tráfico de drogas durante a Operação Showdown, deflagrada na manhã desta quinta-feira (5) no norte de Mato Grosso. Segundo as investigações, os estabelecimentos eram utilizados para lavar dinheiro proveniente do crime. Em um período de 1 ano e 7 meses, o grupo teria movimentado cerca de R$ 2 milhões.
Entre os negócios investigados está a Kauany Shoes Boquite AF, loja que comercializava diversos modelos de calçados e operava tanto com loja física quanto vendas online, prometendo entregas para todo o país. O perfil do estabelecimento nas redes sociais soma cerca de 14,4 mil seguidores.
Outro empreendimento identificado é um estúdio de beleza em Alta Floresta, onde eram oferecidos serviços como limpeza de pele, extensão de cílios, manicure e outros procedimentos estéticos. Também faz parte do esquema uma loja de roupas multimarcas, apontada pelos investigadores como mais um canal para movimentação financeira do grupo.
A operação teve como alvo um núcleo familiar ligado à facção criminosa Comando Vermelho, supostamente comandado por Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha”. Ela está foragida desde agosto do ano passado, quando escapou da Penitenciária Feminina de Cuiabá.
Durante a ação policial, foram presos Kauany Beatriz, filha de Angélica, o genro Guilherme Laureth e o pai da investigada, Paulo Felizardo. Kauany, que está grávida, e Guilherme foram detidos em casa, na cidade de Alta Floresta. Já Paulo foi localizado e preso em uma área de garimpo em Nova Bandeirantes.
De acordo com a Polícia Civil, Kauany e Guilherme ostentavam nas redes sociais uma vida de luxo, com registros de compra de imóveis, carros e viagens internacionais. A jovem possui um perfil com mais de 42,5 mil seguidores, onde compartilhava sua rotina e aquisições.
Os dois são apontados como operadores financeiros do grupo criminoso, responsáveis por lavar dinheiro obtido com o tráfico de drogas.
As investigações também identificaram um braço do esquema ligado à exploração de garimpo irregular na região de Alta Floresta. Paulo seria o responsável por administrar o garimpo e um bar com prostíbulo próximo a Nova Bandeirantes.
Segundo a polícia, o local também funcionaria como ponto de apoio para extorsões contra garimpeiros e tráfico de drogas. O ouro extraído ilegalmente poderia ser utilizado para ocultar e reinserir dinheiro ilícito no mercado formal, dificultando o rastreamento das movimentações financeiras.
Além das prisões, foram cumpridos 7 mandados de busca e apreensão, 6 sequestros de veículos, 4 sequestros de imóveis, bloqueio de 7 contas bancárias e suspensão de três empresas.
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