quinta-feira, 12 - março 2026 - 10:45



IMPACTOS

Fim da escala 6×1 custará R$ 1,4 bilhão ao setor mato-grossense


Setores respondem por mais de 60% do total de custos com contratação de novos funcionários. Falta de mão de obra disponível também preocupa empresários
Setores respondem por mais de 60% do total de custos com contratação de novos funcionários. Falta de mão de obra disponível também preocupa empresários

A proposta de extinção da escala de trabalho 6×1, atualmente em debate no Congresso Nacional, acendeu um alerta vermelho no setor produtivo de Mato Grosso. Um levantamento detalhado do Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio-MT (IPF-MT) estima que a mudança pode gerar um custo adicional de R$ 1,4 bilhão mensal apenas para os setores de comércio e serviços no estado.

O estudo, baseado em dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2024, revela que a medida impactaria diretamente 784,3 mil trabalhadores — o equivalente a 65% de todos os profissionais com carteira assinada em Mato Grosso.


O Peso no Bolso das Empresas

A transição para uma jornada máxima de 36 horas semanais (PEC 221/2019 e PEC 8/2025) exigiria uma reorganização drástica das escalas. Para manter as portas abertas e o nível atual de atendimento, o comércio teria um acréscimo de R$ 669,8 milhões em despesas mensais, enquanto o setor de serviços enfrentaria um custo de R$ 759,4 milhões.

“A redução compulsória da jornada não representa crescimento econômico, mas sim um custo de manutenção. É uma realocação de recursos que pressiona margens de lucro e preços ao consumidor”, explica Wenceslau Júnior, presidente da Fecomércio-MT.

O Desafio do “Pleno Emprego”

Um dos pontos mais críticos apontados pelo IPF-MT é a escassez de mão de obra. Mato Grosso vive um cenário de pleno emprego, com uma taxa de desocupação de apenas 2,4% (dados da PNAD Contínua do IBGE).

Para compensar a redução de horas sem perder produtividade, o estado precisaria contratar imediatamente:

  • 66,4 mil novos trabalhadores para o comércio.

  • 55,7 mil novos trabalhadores para os serviços.

Com apenas 50 mil pessoas disponíveis no mercado de trabalho local, a conta não fecha, o que pode forçar empresas a acelerar a automação ou, em casos mais graves, migrar para a informalidade.


Impacto no Consumidor e Alternativas

O levantamento também projeta um “efeito-preço” preocupante. Em um cenário onde 40% dos trabalhadores migrem para o novo regime, o choque nos preços do comércio pode chegar a 24%. Mesmo em projeções mais conservadoras, estima-se um aumento inflacionário imediato de pelo menos 1,1% no bolso do consumidor mato-grossense.

Setor Custo Adicional Mensal Trabalhadores em Escala >40h
Comércio R$ 669,8 milhões 91% do setor
Serviços R$ 759,4 milhões 74% do setor
Total Geral (MT) R$ 2,2 bilhões 65% do total de celetistas

Caminho pela Negociação

A Fecomércio-MT defende que qualquer alteração na jornada de trabalho deve ser fruto de negociação coletiva, respeitando as particularidades de cada atividade econômica. A entidade também vê com bons olhos a PEC 40/2025, que propõe modelos de contratação mais flexíveis baseados na contabilização de horas, permitindo que o trabalhador opte pelo formato que melhor lhe atenda sem inviabilizar a sustentabilidade dos negócios.


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