- CUIABÁ
- DOMINGO, 22 , FEVEREIRO 2026
A deputada federal Gisela Simona (União), que também preside o União Brasil Mulher em âmbito nacional, acionou oficialmente a Executiva Estadual do partido pedindo a expulsão do vereador de Aripuanã, Luciano Demazzi (União). A medida ocorre após declarações do parlamentar contra a prefeita Seluir Peixer Reghin (União), classificadas como ataques de cunho pessoal.
Em vídeo divulgado nas redes sociais na sexta-feira (20), Gisela afirmou que situações semelhantes já fizeram parte de sua trajetória política e ressaltou que não aceitará episódios que, segundo ela, caracterizam violência política de gênero.
“Eu sei o que é ser alvo desse tipo de comportamento. Já vivi isso e não podemos tratar como algo normal. Ser mulher na política já é um desafio diário. Não vamos admitir esse tipo de postura e vamos até as últimas consequências”, declarou.
De acordo com a deputada, as falas do vereador teriam extrapolado o campo da fiscalização administrativa, atingindo aspectos pessoais da prefeita. A representação sustenta que as manifestações podem se enquadrar no artigo 326-B do Código Eleitoral, incluído pela Lei nº 14.192/2021, que tipifica a violência política de gênero e prevê pena de reclusão e multa.
O documento protocolado aponta que, desde 11 de fevereiro, Demazzi teria feito publicações e declarações com referências ao tratamento oncológico da prefeita, insinuações sobre sua vida privada e questionamentos envolvendo sua família, além de associações consideradas ofensivas à sua honra e imagem.
Diante da repercussão, Seluir Peixer Reghin registrou boletim de ocorrência e ingressou com queixa-crime por calúnia, injúria e difamação. Conforme a representação, mesmo após as medidas judiciais, as manifestações teriam continuado.
Para Gisela, a permanência de condutas desse tipo dentro da legenda compromete a coerência do partido com a defesa da participação feminina na política. No pedido encaminhado à Executiva Estadual, ela requer a abertura de processo ético-disciplinar e a aplicação da penalidade máxima prevista no estatuto partidário: o cancelamento da filiação.
A parlamentar reforçou que a violência política contra mulheres eleitas é utilizada, historicamente, como instrumento de intimidação e deslegitimação.
“Não podemos permitir que ataques pessoais sejam usados para constranger ou silenciar mulheres que exercem mandato. Eu não me calei antes e não vou me calar agora”, afirmou.
Outro lado
Em posicionamentos anteriores, o vereador Luciano Demazzi declarou que suas críticas são direcionadas à condução administrativa do município. Ele afirma temer por sua integridade após questionar gastos da prefeitura, citando, entre outros pontos, despesas superiores a R$ 1 milhão com serviço de fumacê que, segundo ele, não teriam comprovação proporcional à execução.
A Executiva Estadual do União Brasil deverá analisar o pedido e decidir sobre a abertura de procedimento interno para apurar os fatos e avaliar eventual aplicação de sanções.