- CUIABÁ
- DOMINGO, 22 , FEVEREIRO 2026
O governo brasileiro mantém uma postura de cautela e insiste na via diplomática após o presidente dos Estados Unidos, Donald Neste sábado (21), Trump anunciou o aumento das tarifas globais de 10% para 15%, com efeito imediato. A decisão ocorre menos de 24 horas após a Suprema Corte norte-americana derrubar o “tarifaço” original, levando o republicano a responder com uma nova ordem executiva.
Integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que ainda é prematuro traçar um diagnóstico definitivo sobre o impacto prático das medidas. No entanto, o principal trunfo técnico de Brasília continua sendo o superávit comercial dos Estados Unidos em relação ao Brasil — ou seja, os americanos exportam mais para o mercado brasileiro do que importam dele.
Fontes do Palácio do Planalto, ouvidas sob reserva, reiteram que esse dado é o argumento central para classificar qualquer barreira tarifária como “injustificada”. A expectativa é que o tema seja o ponto focal da reunião entre Lula e Trump, prevista para ocorrer nos Estados Unidos em março.
Além das tarifas, o Brasil está sob a lupa do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). A investigação, baseada na “Seção 301” da Lei de Comércio de 1974, apura supostas práticas desleais em diversas frentes:
Pagamentos Eletrônicos: Embora não cite nominalmente o Pix, o relatório menciona “vantagens para serviços desenvolvidos pelo governo”, sugerindo uma possível reserva de mercado que prejudicaria empresas americanas de cartões e pagamentos.
Propriedade Intelectual: A região da Rua 25 de Março, em São Paulo, é descrita como um dos maiores centros de produtos falsificados do mundo, com críticas à eficácia da fiscalização brasileira.
Agronegócio e Meio Ambiente: As tarifas brasileiras sobre o etanol americano e o combate ao desmatamento ilegal também integram o rol de queixas de Washington.
O anúncio de Trump surpreendeu parte da comitiva presidencial brasileira que cumpre agenda oficial na Índia e na Coreia do Sul. Apesar do tom agressivo da Casa Branca, a diplomacia brasileira mantém o “mantra” do diálogo, buscando evitar uma escalada que resulte em uma guerra comercial direta.