segunda-feira, 2 - março 2026 - 18:51



CRISE NO GOLFO

Guerra no Irã pode causar maior choque no petróleo em anos


Imagem gerada por IA
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Em análise publicada nesta segunda-feira (2), a revista britânica The Economist alerta que a intensificação das hostilidades envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã pode desencadear um dos maiores choques no mercado de energia das últimas décadas. Segundo a publicação, a ofensiva ordenada pelo presidente Donald Trump, que resultou na morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei, elevou a volatilidade a patamares críticos e colocou a economia global em estado de alerta.

O impacto foi imediato: o barril do tipo Brent ultrapassou a marca de US$ 82, acumulando uma valorização de 13% em poucos dias — o maior salto em quatro anos. Nesta segunda-feira, a commodity encerrou a sessão com alta superior a 6%, cotada a US$ 77,74.

O fantasma do Estreito de Ormuz

Para analistas consultados pela revista, o cenário atual subverteu as projeções para 2026. Antes da crise, a expectativa era de um excesso de oferta que poderia derrubar os preços para a casa dos US$ 55. Agora, o risco real de uma interrupção no Estreito de Ormuz, por onde transita um terço do petróleo marítimo mundial, projeta um cenário onde o barril pode atingir ou superar os US$ 100.

Diferente de crises anteriores, a escalada atual foca em infraestruturas estratégicas. Refinarias, campos petrolíferos e instalações de gás no Golfo tornaram-se alvos potenciais de mísseis e drones, elevando drasticamente os prêmios de seguro e os custos de transporte.

“Grandes frotas de navios aguardam paradas de ambos os lados da passagem”, destaca o artigo, ressaltando que rotas alternativas via Arábia Saudita e Emirados Árabes têm capacidade limitada para compensar um eventual bloqueio.

Desdobramentos políticos e econômicos

A The Economist aponta que o futuro do mercado depende da estabilidade política em Teerã. Uma eventual mudança de regime poderia reintegrar o Irã ao mercado global, aliviando os preços. Por outro lado, a manutenção de alas radicais no poder pode perpetuar um “adicional de risco” permanente sobre a commodity.

No plano doméstico americano, a alta dos combustíveis representa um desafio direto para a Casa Branca. Estimativas indicam que cada aumento de US$ 10 no Brent reflete rapidamente nas bombas de gasolina, pressionando a inflação e podendo desgastar a popularidade de Donald Trump às vésperas das eleições legislativas nos Estados Unidos.


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