- CUIABÁ
- QUINTA-FEIRA, 26 , MARÇO 2026
O avanço dos conflitos no Oriente Médio atingiu um novo patamar crítico com o aumento sistemático de bombardeios contra infraestruturas e profissionais de saúde. Dados atualizados nesta terça-feira (24) pelo Ministério da Saúde do Líbano e autoridades iranianas indicam que centenas de unidades médicas foram atingidas, resultando na morte de dezenas de socorristas e no colapso de sistemas de atendimento emergencial.
Colapso no Líbano: Hospitais e Ambulâncias sob Fogo
No Líbano, a situação agravou-se drasticamente em apenas duas semanas: o número de centros médicos atingidos saltou de 18 para 70 unidades. Somente nesta terça, dois paramédicos foram mortos em Nabatieh após um ataque israelense contra um comboio.
Vítimas: 42 profissionais de saúde mortos e 119 feridos.
Infraestrutura: 5 hospitais e 54 unidades básicas de saúde foram forçados a encerrar atividades.
Demanda: O sistema tenta absorver mais de 2,9 mil feridos recentes sob constante risco de novos bombardeios.
Devastação no Irã e Divergência de Dados
No Irã, o governo reporta danos a 313 centros médicos, incluindo hospitais e ambulâncias, com 23 profissionais mortos. A Crescente Vermelha Iraniana confirma números similares, relatando ataques diretos a 94 veículos de resgate e 17 de suas bases.
Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou, até o momento, 20 ataques em solo iraniano, os EUA negam ofensivas contra alvos civis. O secretário de Estado, Marco Rubio, classificou eventuais danos como “efeitos colaterais” dos combates.
O Debate Jurídico e Estratégico
A proteção a unidades de saúde é um pilar do Direito Humanitário Internacional. O embate de narrativas entre as forças militares e organizações de direitos humanos define o tom do conflito:
A Justificativa de Israel: As Forças de Defesa de Israel (FDI) alegam que o Hezbollah e o Hamas utilizam ambulâncias e hospitais como “escudos” e centros de comando.
A Posição da Anistia Internacional: A entidade afirma que Israel não apresenta provas concretas para tais acusações e que o assassinato de profissionais de saúde tem se tornado uma prática recorrente.
Análise Geopolítica: Para o especialista Anwar Assi, a destruição não é acidental, mas uma “estratégia deliberada de terror”. Segundo ele, ao atacar prédios vizinhos e quebrar a infraestrutura interna (vidros, equipamentos, energia), força-se a evacuação de grandes hospitais sem a necessidade de um bombardeio direto que causaria maior repúdio internacional.
O Precedente de Gaza
A marca dessa estratégia já foi observada na Faixa de Gaza desde outubro de 2023, onde a OMS registrou 931 ataques a unidades de saúde e a morte de 991 profissionais da área. A obstrução sistemática de serviços de saúde na Cisjordânia (940 incidentes registrados) reforça a tese de especialistas de que a infraestrutura civil tornou-se parte central do campo de batalha moderno na região.