- CUIABÁ
- QUINTA-FEIRA, 10 , SETEMBRO 2026
O vice-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado estadual Júlio Campos (União), se irritou com o barulho provocado por servidores do Poder Judiciário enquanto concedia entrevista coletiva à imprensa, na manhã desta quarta-feira (9), no Salão Negro da Casa de Leis, em Cuiabá.
A confusão ocorreu justamente quando o parlamentar defendia a derrubada do veto ao projeto que prevê reajuste linear de 6,8% aos servidores efetivos do Judiciário. Durante a entrevista, Júlio precisou interromper a fala diversas vezes para pedir silêncio.
“Por favor, silêncio aí. Eu estou dando entrevista. Não respeita?”, reclamou o deputado, antes de pedir a intervenção da segurança. Em seguida, chegou a determinar a retirada do presidente do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso (Sinjusmat), Rosenwal Rodrigues, do local.
“Segurança, tira esse moço daí”, disse Júlio, visivelmente exaltado.
Na sequência, o deputado afirmou que estava justamente defendendo os interesses dos servidores e pediu respeito ao espaço onde concedia a entrevista.
“Olha, eu não entendo. Eu estou defendendo as suas causas. Eu estou defendendo justamente a causa do Judiciário. Eu estou defendendo a causa de vocês. Vocês vejam, respeitem. Aqui não é Judiciário. Respeitem”, afirmou.
Apesar da discussão, Júlio Campos reafirmou seu posicionamento favorável à derrubada do veto e garantiu que, caso esteja presidindo a sessão plenária, colocará a matéria em votação.
“Eu estava defendendo a causa de vocês, justamente falando de que, se eu estiver presidindo a sessão hoje, queira ou não queira, nós vamos votar o RGA de vocês”, declarou.
O deputado também avaliou que a maioria dos parlamentares deve votar pela derrubada do veto.
A nova votação ocorre após decisão da desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), que determinou que a Assembleia Legislativa inclua o veto na pauta desta quarta-feira (9).
A decisão foi proferida na noite de terça-feira (8) e determina que a matéria seja novamente apreciada pelos deputados por meio de votação aberta. A magistrada também manteve multa pessoal de R$ 50 mil por dia ao presidente da Assembleia em caso de descumprimento, limitada inicialmente a R$ 1 milhão.
A determinação atende a uma ação movida pelo Sinjusmat contra o presidente da Assembleia. O projeto, de número 1.398/2025, estabelece reajuste linear de 6,8% aos servidores efetivos do Poder Judiciário.
Votação anterior foi anulada
A disputa começou após a Assembleia Legislativa manter, em 3 de dezembro de 2025, o veto ao projeto em uma votação secreta.
Em agosto deste ano, a Turma de Câmaras Cíveis Reunidas de Direito Público e Coletivo do TJ-MT anulou aquela votação e determinou que o veto fosse novamente submetido aos deputados, desta vez por meio de escrutínio aberto.
A decisão judicial não determina que o reajuste seja aprovado. Os parlamentares continuam livres para decidir se mantêm ou derrubam o veto. A determinação é para que a votação seja realizada de forma aberta, conforme estabelecido pelo Judiciário.
Clima tenso termina em abraço
Apesar do momento de exaltação, o episódio terminou de maneira amistosa. Júlio Campos e Rosenwal Rodrigues conversaram após a discussão e, ao final, chegaram a se abraçar.