terça-feira, 21 - julho 2026 - 02:23



CASO CARLINHOS

Justiça mantém júri de filho de ex-governador nesta terça-feira


Foi a terceira derrota do réu para tentar adiar o julgamento
Foi a terceira derrota do réu para tentar adiar o julgamento

A Justiça de Mato Grosso negou mais uma tentativa da defesa do empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos, de suspender o julgamento pelo Tribunal do Júri. A juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, rejeitou o pedido apresentado às vésperas da sessão e confirmou a realização do júri para esta terça-feira (21), às 9h, no Fórum da Capital.

Este foi o terceiro pedido de adiamento protocolado pela defesa em menos de cinco dias. Filho do ex-governador e ex-deputado federal Carlos Bezerra, o empresário responde pelos crimes de feminicídio contra a ex-companheira Thays Machado, de 44 anos, e homicídio contra Willian César Moreno, de 30 anos. Os crimes ocorreram em janeiro de 2023.

Na nova solicitação, os advogados alegaram que foram surpreendidos pela existência de procedimentos sigilosos relacionados ao réu e afirmaram não ter tido acesso completo aos autos vinculados à prisão domiciliar. A defesa também pediu prazo adicional de dez dias para analisar cerca de 109 gigabytes de informações extraídas de aparelhos celulares.

A magistrada, no entanto, entendeu que os argumentos apresentados não justificavam a suspensão do julgamento. Segundo a decisão, não houve comprovação de prejuízo concreto ao direito de defesa que pudesse impedir a realização da sessão.

“Trata-se, à evidência, de mais uma tentativa de adiamento da sessão de julgamento, sem que se identifique, nos fundamentos apresentados, prejuízo concreto e atual ao exercício da ampla defesa que legitime nova postergação”, afirmou Mônica Perri.

Na decisão, a juíza destacou que a defesa já tinha conhecimento da existência dos procedimentos sigilosos e que poderia ter solicitado anteriormente o acesso aos documentos. Em relação aos arquivos extraídos dos celulares, a magistrada afirmou que os relatórios técnicos já integravam a ação penal desde o início do processo.

Conforme a decisão, a defesa teve acesso ao material completo em 7 de julho, 14 dias antes da data marcada para o julgamento. Para Mônica Perri, a necessidade de organização e análise dos dados não poderia ser utilizada como justificativa para atrasar a sessão.

“A alegada necessidade de tempo adicional para indexação, transcrição e cotejo do material não decorre de qualquer conduta imputável a este Juízo, mas de escolha da própria defesa quanto à forma e ao momento de organizar seu trabalho técnico”, declarou.

Outros pedidos negados

Nos últimos dias, a defesa de Carlinhos também teve outros dois pedidos rejeitados.

Na quarta-feira (15), o ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou a solicitação para transferir o julgamento para outra comarca de Mato Grosso ou para outro estado. A defesa alegava que a repercussão do caso poderia comprometer a imparcialidade dos jurados.

Já na sexta-feira (17), a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira negou o pedido para instaurar um incidente de insanidade mental, procedimento que buscava avaliar a capacidade do empresário de compreender a ilegalidade dos atos atribuídos a ele no momento dos crimes.

Com as decisões, o julgamento pelo Tribunal do Júri permanece confirmado para esta terça-feira, no Fórum de Cuiabá.


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