- CUIABÁ
- QUARTA-FEIRA, 4 , MARÇO 2026
O deputado estadual Dilmar Dal Bosco, líder do Governo na Assembleia Legislativa (ALMT), admitiu nesta terça-feira (3) que pode deixar o União Brasil. O parlamentar revelou já ter recebido convites de ao menos três legendas e estuda sua viabilidade política antes do fechamento da janela partidária, em 4 de abril.
A intenção de saída foi comunicada formalmente no grupo de mensagens da federação partidária na última segunda-feira (2), o que resultou na ausência do deputado em uma reunião estratégica da cúpula governista realizada na residência do senador Jayme Campos.
O Pivô da Crise: A Disputa pela CCJ
O estopim para o descontentamento de Dal Bosco foi um embate direto com o colega de partido, Eduardo Botelho, durante a composição das comissões permanentes da Casa. O conflito centralizou-se na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a mais importante da Assembleia.
O conflito: Dilmar não indicou Botelho para compor a CCJ no bloco governista.
A reação: Botelho rompeu com o bloco liderado por Dilmar e migrou para o grupo da deputada Janaina Riva (MDB), por onde garantiu sua vaga na comissão.
O sentimento: “Claro que estou chateado, quem não ficaria? Ele [Botelho] fez várias declarações na imprensa”, desabafou Dilmar, embora tente manter um tom diplomático.
Versão de Botelho: Quebra de Confiança
Do outro lado, Eduardo Botelho sustenta que sua reação foi uma defesa de seus direitos e prerrogativas, já que presidia a CCJ anteriormente. Botelho acusa o líder do Governo de descumprir acordos internos.
“Minha irritação é que havíamos combinado uma coisa e ele fez outra. Ele disse aos deputados que havia consenso para que ele fosse o presidente da CCJ, o que não era verdade”, criticou Botelho, afirmando que a confiança pessoal entre os dois foi abalada, apesar de prometer manter a civilidade institucional.
A ausência de Dilmar na reunião de segunda-feira — justificada oficialmente por uma viagem à sua base eleitoral em Nobres — aumentou as especulações sobre seu isolamento dentro do União Brasil. Com pouco mais de um mês para o prazo final de filiações, o movimento do líder do Governo pode causar um rearranjo nas chapas de deputados estaduais e federais da base governista.