segunda-feira, 7 - setembro 2026 - 17:42



ESCÂNDALO VORCARO

Medeiros defende limpeza em Brasília; ‘ninguém solta o rabo de ninguém’


Allan Mesquita/Da Redação
José Medeiros
José Medeiros

O deputado federal José Medeiros (PL) defendeu uma renovação no cenário político e institucional de Brasília ao comentar os desdobramentos envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). Para o parlamentar, as relações entre diferentes grupos de poder criaram uma espécie de proteção mútua, resumida por ele na expressão “teoria dos rabos”.

“É a teoria dos rabos. Ninguém larga o rabo de ninguém”, afirmou, ao sustentar que o eleitor terá papel central para promover mudanças nas instituições.

A declaração ocorreu durante uma avaliação sobre as mensagens atribuídas a Vorcaro e as relações mantidas pelo banqueiro com autoridades. Medeiros fez uma distinção entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. Segundo ele, o contato de Mendonça com o banqueiro teria ocorrido dentro da atividade institucional do magistrado, enquanto as informações divulgadas sobre Vorcaro e Moraes indicariam, na avaliação do deputado, uma relação de natureza diferente.

“O ministro do STF tem por obrigação receber os advogados, receber memoriais ou até mesmo clientes. E, notadamente, ele recebeu, entregou os memoriais, o Vorcaro entregou os memoriais, e ele acabou definindo o voto contrário”, disse.

Críticas a Moraes

Ao tratar especificamente de Alexandre de Moraes, Medeiros elevou o tom das críticas e afirmou estar “abismado” com o conteúdo que veio a público. O deputado comparou a suposta proximidade entre o ministro e Vorcaro a uma imagem que ficou conhecida durante o Carnaval envolvendo a modelo Luma de Oliveira e o empresário Eike Batista.

“Eu tive o mesmo déjà vu, mas imaginando o Alexandre Moraes escrito assim: Vorcaro”, declarou.

Medeiros também questionou a atuação de Moraes e afirmou que haveria contraste entre a imagem pública construída pelo ministro e o que estaria sendo revelado nas mensagens. O deputado classificou Moraes como “um malandro se dando bem em Brasília” e afirmou que o magistrado teria usado o poder como instrumento de enfrentamento a adversários políticos.

“Degradação total”

O parlamentar também criticou a aproximação entre integrantes do STF e disputas políticas. Segundo Medeiros, a presença de ministros em questões com repercussão eleitoral teria tornado comum uma situação que, na avaliação dele, deveria causar preocupação.

“É um horror a gente estar aqui falando com tanta normalidade até que um ministro venha ter adversário político”, afirmou.

Medeiros citou ainda o ministro Flávio Dino ao comentar a atuação do STF em questões relacionadas ao Maranhão e afirmou que integrantes da Corte estariam entrando cada vez mais na seara política.

Apesar das críticas, o deputado ponderou que nem todas as relações mantidas por Vorcaro necessariamente seriam criminosas. Ele mencionou discussões envolvendo o sistema financeiro e a CPMI do INSS para argumentar que as conexões do banqueiro com autoridades e instituições precisam ser analisadas de forma ampla.

Eleitor como saída

Ao projetar os próximos passos diante das revelações, Medeiros afirmou que não vê nas próprias instituições de Brasília uma solução para o cenário que descreveu como de “degradação total”.

Para ele, a principal possibilidade de mudança está nas urnas. O deputado defendeu que os eleitores avaliem o histórico e o perfil dos candidatos antes de escolher seus representantes.

“Então, o eleitor precisa olhar o perfil, porque a coisa ali está… Deus me livre, está saindo cada coisa”, afirmou.

Medeiros também demonstrou preocupação com a possibilidade de André Mendonça sofrer represálias por sua atuação e comparou a situação aos episódios envolvendo o senador Sergio Moro e o ex-deputado Deltan Dallagnol.

“Não duvide se eles não fizerem represália para cima do André Mendonça”, declarou.

Ao concluir a análise, Medeiros voltou a resumir sua avaliação sobre o cenário político e institucional de Brasília: “Só cabe ao eleitor. Não tem mais a quem recorrer. Virou uma coisa… degradação total”.

 

 


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