- CUIABÁ
- SÁBADO, 10 , OUTUBRO 2026
O presidente do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), Adriano Bastos Pinho, fez críticas ao uso de versões do Mounjaro trazidas do exterior e sem registro no Brasil. Segundo ele, não é possível garantir a procedência e a qualidade de medicamentos que não passam pelos órgãos de fiscalização brasileiros.
A declaração foi dada durante a sabatina com candidatos ao Senado e ao Governo de Mato Grosso, promovida pelo CRM-MT, Sindessmat, Sindimed e Associação Mato-grossense de Análises Clínicas (Amac), em Cuiabá.
Ao ser questionado sobre denúncias relacionadas ao uso do medicamento e, especificamente, sobre o chamado Mounjaro do Paraguai, Adriano afirmou que a dificuldade está justamente na fiscalização de produtos que não são fabricados ou regulamentados no país.
“Como que nós vamos fiscalizar algo que não é produzido no país e não tem nenhuma legislação que consiga abarcar esse tipo de medicamento”, afirmou.
Falta de garantia
De acordo com o presidente do CRM-MT, medicamentos liberados para uso no Brasil precisam passar por regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e por outros órgãos governamentais, o que permite aos conselhos profissionais avaliar questões relacionadas à procedência e à qualidade.
“Medicamento que vem de fora sem procedência, nós não temos como garantir a qualidade daquele medicamento. Ou seja, não sabemos se a dose está correta, se a concentração daquele medicamento está correta e a procedência daquele medicamento”, disse.
Adriano classificou o uso de produtos sem procedência conhecida como “extremamente perigoso” e afirmou que não recomenda a utilização.
“Se existe a medicação no Brasil, se existe toda a recomendação, que se faça via consumos brasileiros, obviamente. Agora, a questão de preço, isso é uma outra discussão”, declarou.
O presidente do CRM-MT defendeu que a discussão seja direcionada para formas de tornar o medicamento regulamentado mais acessível à população, em vez da busca por alternativas de procedência desconhecida.
“Não tentar caminhos para utilizar um medicamento mais barato, mas por que não trabalhar para que esse medicamento regulado, regulamentado, chegue a um preço acessível à população? Eu acho que essa é a minha opinião”, disse.
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