terça-feira, 10 - fevereiro 2026 - 17:09



PEDIDO DE CPI

Michelly rebate cobrança e diz que Câmara não vai fazer 'show midiático' com denúncia de assédio


Allan Mesquita / Da Redação
Michelly Alencar – Allan Mesquita
Michelly Alencar – Allan Mesquita

A vereadora Michelly Alencar (União) afirmou que a Câmara Municipal de Cuiabá não irá transformar a denúncia de assédio sexual envolvendo o ex-secretário municipal de Trabalho, William Leite de Campos, em uma “ação midiática”. A declaração foi dada nesta terça-feira (10), quando a parlamentar rebatia a pressão que recai sobre a Mesa Diretora, que é composta por mulheres, em torno da instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso.

“Como que uma Mesa Diretora feminina vai ser a favor, ou vai acobertar, ou vai minimizar um assédio? Não, de maneira alguma. Eu tenho certeza que a mesa sempre vai se comportar assim. Esse é o momento de eu me manifestar, porque o caso aconteceu neste final de semana e eu estou aqui exatamente para dizer a todos que não compactuo com o assédio e não compactuo com o crime”, declarou.

A CPI foi proposta pelo vereador Daniel Monteiro (Republicanos). Contudo, os parlamentares optaram pela aprovação de uma comissão especial, proposta pela vereadora Dra. Mara (Podemos). O mecanismo é  considerado mais “light” do que o modelo de investigação proposto pelo republicano.

Diante disso, Michelly argumentou que a cobrança pela abertura de uma CPI desconsidera os limites regimentais da Casa e pode resultar na exposição indevida da vítima. “Uma mulher que defende mulher entende que a vítima não pode ser revitimizada. Colocar uma vítima dentro de uma CPI, com transmissão ao vivo, tendo que ficar de frente com um agressor, questionando se ela realmente foi vítima ou não, não é defendê-la”, disse.

A vereadora também criticou o que classificou como tentativa de transformar o caso em espetáculo político. “O que uma vítima espera? Ser acolhida ou uma ação mediática?”, questionou.

Segundo ela, a comissão especial é o instrumento possível no momento, já que a Câmara atingiu o limite máximo de CPIs em andamento. “Nós propomos aquilo que é real e possível de ser feito. A comissão especial acompanha, apura, envia relatórios aos órgãos de controle e não expõe a vítima”, afirmou.

 Michelly disse ainda que não aceitará pressões para se posicionar de acordo com interesses externos. “O voto de cabresto já acabou. Não vou aceitar que digam como uma mulher deve se comportar na política. Sempre agi dentro do rito das coisas e é assim que continuarei agindo”, concluiu.

Já a vereadora Maria Avalone (PSDB) adotou um posicionamento distinto ao defender a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a denúncia de assédio sexual. Presidente da Comissão dos Direitos da Mulher na Câmara, ela afirmou que a iniciativa não tem caráter político nem é direcionada contra o prefeito. “Não é contra o prefeito, não estamos contra o prefeito Abilio, até porque ele não é a pessoa que a gente quer investigar neste momento. É uma investigação que nós estamos fazendo de uma funcionária da prefeitura que recebeu um assédio sexual”, declarou.

Maria Avalone também demonstrou indignação com as dificuldades enfrentadas para viabilizar a CPI e criticou a criação simultânea de outras comissões investigativas, que acabaram inviabilizando a proposta. “Eu não posso me calar, eu não posso ser omissa. A nossa CPI que nós estávamos propondo para investigar uma denúncia de assédio a uma mulher que sofreu uma violência é grave e tem que ser investigada”, afirmou. Segundo a vereadora, diante do impasse, será necessário discutir mudanças no Regimento Interno da Casa. “Infelizmente nós não conseguimos esse número e agora eu estou propondo que realmente faça uma alteração no sistema da Câmara, para que a gente possa instalar uma nova CPI”, concluiu.


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