- CUIABÁ
- SEGUNDA-FEIRA, 12 , JANEIRO 2026


A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), afirmou que há uma crise institucional instalada entre o Executivo e o Legislativo municipal e acusou o presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira (MDB), de articular uma tentativa de retirá-la do cargo. A declaração foi feita nesta sexta-feira (26), em entrevista à TV Vila Real.
Ao ser questionada sobre quem estaria por trás do movimento, Flávia foi direta. “O presidente da Casa, Wanderley Cerqueira. Ele está coordenando isso. Ele não joga sozinho. Sempre tem um time, e ele é o líder”, afirmou.
Segundo a prefeita, o desgaste com o parlamentar teve início ainda durante o período de transição de governo, antes mesmo de sua posse, em janeiro de 2025. “Meu desgaste com ele começou na transição, quando eu não aceitei lotear as minhas secretarias”, disse.
Flávia afirmou que o principal foco de interesse do presidente da Câmara seria a Secretaria Municipal de Saúde. “Ele exigia ser o dono da secretaria, indicando secretário, e eu não deixei isso acontecer. Desde o começo ele sempre quis mandar na prefeitura”, declarou.
A prefeita também disse que o vereador integra um sistema político que ela afirma combater. “Ele é um articulador para me tirar da cadeira da prefeitura porque sabe que eu estou ali para mudar a forma do sistema. Eu não entrei no sistema como eles queriam que eu entrasse”, completou.
As declarações ocorrem em meio à tramitação de uma Comissão Processante na Câmara de Várzea Grande, que pode resultar na cassação do mandato da prefeita. O processo apura possível infração político-administrativa relacionada ao uso do slogan “Transparência, Trabalho e Progresso” em uniformes da rede municipal de ensino.
A denúncia foi apresentada pelo advogado Pedro Augusto Rodrigues Costa, sob a alegação de promoção pessoal e violação aos princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa. A defesa prévia apresentada por Flávia Moretti foi rejeitada, e a comissão decidiu dar prosseguimento às investigações.
Segundo o colegiado, não houve cerceamento do direito de defesa e a denúncia apresenta elementos suficientes para continuidade do processo. A comissão destacou ainda que a própria defesa reconhece a existência do slogan nos uniformes.
Entre as medidas determinadas estão diligências em unidades de ensino, requisição de documentos a secretarias municipais e a realização de oitivas com testemunhas, incluindo a prefeita. A audiência de instrução está marcada para o dia 21 de janeiro de 2026, na Câmara Municipal.