- CUIABÁ
- SEXTA-FEIRA, 27 , FEVEREIRO 2026
Juliana Alves
Reportagem
O advogado condenado por homicídios de amante e delegado, Paulo Roberto Gomes dos Santos, negou ter atropelado a idosa Ilmis Dalmis Mendes da Conceição, de 71 anos, que morreu após ser atingida por um Fiat Toro ao atravessar a Avenida da FEB, em Várzea Grande, na manhã desta terça-feira (20). No interrogatório, ele afirmou que a vítima teria “atropelado” seu veículo, colidindo contra a lateral esquerda do carro. O motorista foi preso em flagrante por homicídio doloso, omissão de socorro e fuga do local do acidente.
Imagens de câmeras de segurança da região registraram o atropelamento da idosa. Ela estava atravessando a avenida e, ao chegar na terceira faixa, próxima ao canteiro central, foi atingida violentamente pelo Fiat Toro, que seguiu seu caminho após o impacto. O choque foi tão forte que a idosa foi arremessada para o lado oposto da via e atropelada novamente por um Fiat Strada. A mulher morreu no local, com o corpo desmembrado e espalhado pela pista.
Um policial à paisana que presenciou o acidente perseguiu o motorista do Fiat Toro pela avenida e conseguiu interceptá-lo, levando-o de volta ao local do crime. Em determinado momento, Paulo Roberto alegou estar com medo de ser agredido, devido às ameaças recebidas das testemunhas, e disse estar passando mal, sendo necessário atendimento médico.
Policiais civis da Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran) localizaram Paulo Roberto e o prenderam em flagrante no Shopping de Várzea Grande. O condutor do Fiat Strada permaneceu no local, foi ouvido na Deletran e liberado, sem indícios de culpa ou dolo pelo ocorrido.
De acordo com o delegado Christian Cabral, no momento do acidente, o motorista tinha amplo campo de visão e de manobra, não havia veículos à sua frente e ele não tentou frear ou desviar da vítima. “As imagens também revelaram de maneira cristalina que, além de trafegar em altíssima velocidade, o motorista seguiu seu destino após a colisão, como se nada houvesse ocorrido, demonstrando total ausência de preocupação e arrependimento com os fatos”, explicou.
Paulo Roberto Gomes dos Santos foi autuado em flagrante, sem direito a fiança, em razão da somatória das penas.
‘Vacanni’ matou e decapitou namorada
O advogado e ex-policial civil Paulo Roberto Gomes dos Santos, o “Vacanni”, foi condenado, em 2007, a 19 anos de prisão pelo assassinato da namorada, Rosimeire Maria da Silva, 25, ocorrido em 2004, em Juscimeira. De acordo com a denúncia do Ministério Público, o crime foi motivado por ciúmes. Paulo Roberto ficou furioso ao descobrir, por um detetive particular, que a jovem também mantinha um relacionamento com outro homem. Ele convidou Rosimeire para uma viagem e a matou dentro do quarto de um motel. Ela foi asfixiada, degolada e teve as falanges dos dedos retiradas.
Após o crime, ele jogou a cabeça dela em um rio próximo de Juscimeira e chegou a “ajudar” a família da vítima na procura pelo corpo. Ele foi preso dias depois, usando a identidade falsa em nome de Francisco de Angelis Vacanni Lima, um empresário da região norte do estado. O caso teve repercussão nacional. Na época, Paulo Roberto era procurado pelo assassinato de um delegado no Rio de Janeiro e já havia sido setenciado a 13 anos de prisão. Após a prisão pela morte de Rosimeire, ele tentou fugir da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), pulando do 3º andar do prédio. Em consulta ao Cadastro Nacional de Advogados, o nome de Paulo consta como situação regular, portanto ativa.