segunda-feira, 23 - março 2026 - 15:31



APAGÃO FREQUENTE

MP aciona Energisa após cidades de MT ficarem ‘metade do ano’ sem energia


Da Redação / FatoAgora
Luz de Vela – Freepik
Luz de Vela – Freepik

Moradores dos municípios de Cláudia e União do Sul, no norte de Mato Grosso, enfrentam uma situação alarmante no fornecimento de energia elétrica. Somados os dias, as interrupções no serviço chegam a mais da metade de um ano, segundo levantamento do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que acionou a Justiça contra a concessionária Energisa.

Dados técnicos apontam que, em Cláudia, o tempo médio anual sem energia entre 2021 e 2024 foi de 5.601 horas, o equivalente a cerca de 233 dias por ano, ou seja, praticamente mais da metade do ano sem fornecimento contínuo. Já em União do Sul, o acumulado chega a aproximadamente 126 dias por ano sem energia.

As Ações Civis Públicas (ACPs) foram ajuizadas pela 1ª Promotoria de Justiça de Cláudia após uma série de reclamações da população, incluindo abaixo-assinados e manifestações coletivas que denunciam quedas frequentes, longas interrupções e prejuízos recorrentes.

De acordo com o promotor de Justiça Edinaldo dos Santos Coelho, os problemas são antigos e persistentes. “O serviço vem sendo prestado de forma precária, deficiente e incompatível com as normas técnicas”, afirmou, destacando que as falhas são registradas há mais de nove anos.

Relatório do Centro de Apoio Técnico à Execução (CAEX) reforça a gravidade do cenário. O indicador de duração das interrupções (DEC) ficou acima dos limites estabelecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em diversos anos. Além disso, houve aumento recente na frequência das quedas, agravando ainda mais a situação enfrentada pelos moradores.

Entre as principais causas das interrupções estão descargas atmosféricas, fatores ambientais e falhas na infraestrutura da rede elétrica. Em muitos casos, os apagões ultrapassam 24 horas, comprometendo serviços essenciais como atendimento em unidades de saúde, conservação de vacinas e medicamentos, segurança pública e atividades comerciais.

Diante da situação, o Ministério Público pediu, em caráter liminar, que a Energisa adote, no prazo de 15 dias, medidas emergenciais para garantir a regularidade do serviço. Entre as ações exigidas estão o reforço da rede, modernização de equipamentos, ampliação das equipes de atendimento e intensificação da limpeza da vegetação próxima às redes.

O MPMT também requer a condenação da concessionária ao pagamento de R$ 5 milhões por danos morais coletivos para cada município, com recursos destinados a projetos nas áreas de saúde, educação, assistência social e cidadania.

Para o órgão, a soma das horas sem energia ao longo dos anos evidencia um cenário crítico e contínuo de falhas, que compromete diretamente a qualidade de vida da população e exige intervenção urgente do Poder Judiciário.


Entre no nosso canal do Whatsapp e receba noticias em tempo real. Clique Aqui
+