- CUIABÁ
- QUARTA-FEIRA, 29 , ABRIL 2026
O Ministério Público Federal (MPF) denunciou ex-dirigentes da Unimed Cuiabá e um empresário por estelionato e lavagem de dinheiro. Segundo a acusação, o grupo teria simulado a contratação de um serviço de intermediação financeira inexistente para justificar o pagamento indevido de R$ 700 mil, causando prejuízo à própria cooperativa.
De acordo com a denúncia apresentada à Justiça Federal, o esquema teria sido estruturado entre setembro e dezembro de 2022 por integrantes da alta administração da operadora, incluindo o então diretor-presidente, o ex-diretor executivo (CEO), a ex-chefe do departamento jurídico e gestores das áreas administrativa e financeira.
Os investigados teriam atuado em conjunto com um representante de empresa privada para simular a prestação de serviço de intermediação de crédito, por meio de um contrato considerado fictício, que previa pagamento de comissão.
A investigação aponta que a cooperativa teria sido induzida ao erro com a justificativa de que a empresa contratada intermediou a obtenção de um empréstimo de R$ 33,1 milhões junto a uma instituição financeira. No entanto, o próprio banco informou que não utiliza intermediários e que a negociação ocorreu diretamente com a Unimed Cuiabá.
Além disso, uma colaboração premiada de uma ex-diretora revelou que os envolvidos teriam utilizado a falsa narrativa de gestão de carteiras deficitárias para encobrir a real finalidade da operação.
Segundo o MPF, o contrato apresentado para embasar o pagamento apresenta indícios de simulação, como assinatura em data posterior à indicada e ausência de comprovação dos serviços prestados. A liberação dos valores também teria ocorrido fora dos procedimentos internos da cooperativa, com indícios de irregularidades contábeis.
A denúncia detalha ainda a atuação dos investigados: o então diretor-presidente é apontado como líder do esquema; o ex-diretor executivo teria articulado a contratação e pressionado setores internos; e a ex-chefe do jurídico teria elaborado e validado o contrato, conferindo aparência de legalidade à operação. Já áreas administrativas e financeiras teriam viabilizado a liberação dos recursos.
O MPF afirma que os valores teriam sido posteriormente ocultados por meio de movimentações financeiras fracionadas, saques em espécie e uso de contas de terceiros, com o objetivo de dificultar o rastreamento.
A denúncia requer a condenação dos envolvidos pelos crimes de estelionato e lavagem de dinheiro, além do ressarcimento dos danos, estimados em valor superior a R$ 900 mil. Também foi solicitada indenização por danos morais coletivos, devido ao impacto na credibilidade da cooperativa e à insegurança gerada entre cooperados e beneficiários.